O seminário ReConstruir, organizado pelo Instituto SENAI de Tecnologia em Cerâmica, reuniu especialistas em Criciúma para discutir caminhos para aumentar a eficiência da construção civil diante de desafios como a escassez de mão de obra, os custos imprevisíveis e a necessidade de maior agilidade nos empreendimentos.
Segundo informações divulgadas pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), os debates abordaram a integração entre tecnologia, industrialização e qualificação profissional como estratégias para modernizar o setor e ampliar a produtividade.
O engenheiro civil Lucas Morelle Oliveira, da MRV, afirmou que a consolidação de novos modelos produtivos exige investimento contínuo em métodos de gestão desde as primeiras etapas dos projetos. Para ele, a valorização dos profissionais é essencial para reter talentos em um mercado cada vez mais competitivo.
Tecnologia e produtividade
O coordenador do Instituto SENAI de Tecnologia em Cerâmica, Anselmo Medeiros Marcelino, destacou que a combinação de novas metodologias pode ajudar o setor a produzir mais, com melhor desempenho, agilidade e menor uso de recursos.
“Isso vai ao encontro do propósito do SENAI de ajudar o setor a produzir mais, melhor e mais rápido, utilizando menos recursos”, afirmou Marcelino.
Entre os temas discutidos esteve a adoção do Building Information Modeling (BIM), modelo de gestão e planejamento que utiliza representações digitais para organizar informações sobre obras e antecipar possíveis problemas antes da execução.
Dados citados durante o seminário indicam que, se metade das empresas brasileiras de construção adotasse o BIM, o Produto Interno Bruto (PIB) do setor poderia crescer 7%, conforme estudo da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). Em março de 2024, 20,6% das empresas de construção do país utilizavam a ferramenta, segundo pesquisa da FGV IBRE.
A diretora da Conexão BIM, Kesia Alves da Silva, avaliou que a tecnologia contribui para uma mudança no modelo produtivo da construção ao permitir o planejamento mais detalhado e a identificação antecipada de dificuldades.
Inteligência artificial no setor
A inteligência artificial também foi apontada como uma ferramenta para qualificar decisões e acelerar processos nas empresas. De acordo com os especialistas, quando associada à modelagem virtual, a tecnologia pode auxiliar na análise de cenários, na gestão de insumos e no atendimento a exigências regulatórias.
A CIO da Starian, Carla Cristina de Souza, afirmou que o uso dessas soluções se tornou um diferencial estratégico para organizações que buscam ampliar a precisão, a governança e o desempenho de seus processos.
Além da realização do seminário, o Instituto SENAI de Tecnologia em Cerâmica mantém laboratórios acreditados pelo Inmetro/CGCRE para ensaios em diferentes etapas da cadeia produtiva. Os serviços incluem análises de matérias-primas, cerâmicas, concretos, insumos e materiais empregados na construção, além de estudos sobre o desempenho das edificações.
















