O Banco Central reduziu a taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano após avaliar que a atividade econômica, a inflação, o crédito e a demanda apresentaram sinais de desaceleração. A justificativa consta na ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira (22), após o encontro realizado nos dias 15 e 16 de setembro.
Segundo o documento, os indicadores mais recentes apontam uma moderação gradual da economia brasileira, principalmente nos setores mais sensíveis aos juros. Apesar disso, o Copom destacou que a atividade permanece resiliente e que o mercado de trabalho continua aquecido.
A leitura do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre também confirmou o processo de desaceleração. De acordo com o Banco Central, o movimento foi mais perceptível nas atividades e nos componentes da demanda que respondem de forma mais intensa ao nível dos juros.
De acordo com a Agência Brasil, o Copom avaliou que o enfraquecimento da demanda é necessário para equilibrar oferta e procura e contribuir para a convergência da inflação à meta. O comitê também apontou que os efeitos da política monetária restritiva sobre a economia vêm sendo observados de forma gradual.
Inflação perde força
A ata registra ainda uma perda de intensidade da inflação ao consumidor nos últimos meses. Tanto o índice geral quanto a média dos indicadores de inflação subjacente desaceleraram e, no acumulado de 12 meses, ficaram abaixo do limite superior do intervalo de tolerância da meta, embora ainda estejam acima do centro estabelecido.
No mercado de crédito, os dados também foram considerados compatíveis com uma redução do ritmo de crescimento econômico em um cenário de juros elevados. Para o Copom, os efeitos da política monetária sobre a atividade vêm se acumulando e contribuindo para o processo de desinflação.
Expectativas ainda preocupam
Apesar dos sinais de melhora, o Banco Central manteve uma avaliação cautelosa. As expectativas de inflação continuam acima da meta nos diferentes horizontes analisados. Conforme a pesquisa Focus citada na ata, as projeções estão em 4,9% para 2026 e 4,3% para 2027.
O Copom afirmou que, diante de expectativas ainda desancoradas, é necessário manter uma política monetária restritiva por mais tempo para favorecer a convergência da inflação à meta.
O cenário externo também foi apontado como fonte de incerteza, especialmente diante das tensões geopolíticas no Oriente Médio e das dúvidas sobre os próximos passos da política monetária nas principais economias desenvolvidas.
Entre os fatores que podem contribuir para uma inflação menor, o comitê mencionou uma desaceleração mais intensa das economias brasileira e mundial, além de uma eventual redução nos preços das commodities.
Ao justificar o corte de 0,25 ponto percentual, o Copom afirmou que a decisão é compatível com a estratégia de condução da política monetária para levar a inflação à meta no horizonte considerado relevante. O colegiado informou que continuará acompanhando os indicadores econômicos para definir o grau de restrição necessário nas próximas decisões.












