GeralReitora da Unesc aborda hiperconectividade na Colômbia

Reitora da Unesc aborda hiperconectividade na Colômbia

A reitora em exercício da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), Gisele Silveira Coelho Lopes, palestrou sobre os impactos da hiperconectividade na saúde dos trabalhadores durante o 12º Congresso Internacional da Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais, realizado na Colômbia. A apresentação destacou os desafios de conciliar as exigências profissionais com a vida pessoal e a importância de promover ambientes de trabalho mais saudáveis.

Com o tema “Cultura de paz e saúde no trabalho: os desafios da hiperconectividade e do transbordamento do trabalho para a vida pessoal”, a palestra integrou a programação do evento, que discutiu bem-estar, trabalho e envelhecimento em contextos de paz.

Durante a exposição, Gisele ressaltou que a conexão permanente, as interrupções frequentes e a pressão por respostas imediatas podem comprometer a saúde e dificultar o descanso dos trabalhadores. A professora também destacou a responsabilidade das instituições na construção de relações profissionais baseadas no respeito, no diálogo e no cuidado.

Dados alertam para os efeitos da conexão permanente

Entre os dados apresentados, um estudo da Eurofound apontou que 80% dos entrevistados recebem comunicações relacionadas ao trabalho após o expediente. Além disso, nove em cada dez respondem a esses contatos, motivados pelo senso de responsabilidade, pelas expectativas das organizações ou pelo receio de consequências negativas.

A apresentação também trouxe informações da Gallup sobre o bem-estar dos trabalhadores da América Latina e do Caribe. Conforme o levantamento citado, 43% dos trabalhadores relataram sentir estresse diariamente, além de registros de tristeza, raiva e solidão.

Diante desse cenário, Gisele defendeu a revisão de práticas de gestão que incentivam a disponibilidade contínua e dificultam a recuperação física e emocional. Segundo ela, a sobrecarga nem sempre está relacionada a dificuldades individuais, podendo ser consequência da maneira como as atividades são organizadas.

Direito à desconexão digital

Outro ponto abordado foi a necessidade de estabelecer limites para as comunicações profissionais fora do expediente. A reitora em exercício defendeu acordos coletivos com regras claras para o uso dos canais digitais e para a definição de situações excepcionais que justifiquem contatos urgentes.

A palestra também discutiu o tecnoestresse, associado à adaptação às tecnologias, ao excesso de informações e à pressão por produtividade. A expansão das ferramentas digitais e da inteligência artificial acrescenta desafios relacionados às mudanças nas funções profissionais e à necessidade de atualização constante.

Para Gisele, o envio de mensagens a qualquer momento não deve criar a expectativa de respostas imediatas. A defesa do direito à desconexão digital, segundo ela, faz parte da construção de uma cultura organizacional que respeite o tempo livre e as necessidades humanas.

Cultura de paz no ambiente profissional

Ao concluir a apresentação, Gisele destacou três dimensões fundamentais para transformar as relações de trabalho: liderança, bem-estar e educação para a paz.

A proposta envolve gestores comprometidos com a qualidade de vida, valorização dos aspectos emocionais e sociais dos trabalhadores e incentivo à convivência baseada no respeito, na cooperação e na prevenção da violência.

A palestrante reforçou que a cultura de paz precisa ser incorporada às práticas cotidianas das organizações, com iniciativas que promovam o diálogo, o reconhecimento e melhores condições de trabalho.

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