O município de Balneário Arroio do Silva, no Sul de Santa Catarina, estruturou o atendimento à educação especial na rede municipal de ensino com profissionais especializados, protocolos de identificação de dificuldades de aprendizagem e acompanhamento das famílias. O trabalho, desenvolvido pelo Departamento de Educação Especial, busca ampliar a inclusão escolar e garantir melhores condições de aprendizagem aos estudantes, conforme explicado pela diretora do departamento, Berenice Fontanella, e pelo psicólogo Romalino Manuel Rescaroli Júnior, conhecido como Roma, durante entrevista ao vivo na Rádio Amorim.
Atendimento especializado em todas as unidades
Segundo Berenice, a criação do departamento surgiu da necessidade de organizar o atendimento aos estudantes, orientar os professores e oferecer suporte às famílias diante do aumento da demanda por educação especial. A estruturação do serviço envolveu a elaboração de um protocolo de atuação, apresentado também à Câmara de Vereadores.
Atualmente, cada unidade escolar da rede municipal conta com um profissional de Atendimento Educacional Especializado (AEE). Esses profissionais passaram por uma especialização em educação especial oferecida gratuitamente pelo município, em parceria com a Unesc.
A rede também dispõe de 56 profissionais de apoio, entre professores, segundos professores, monitores de educação e estagiários. Eles recebem orientações dos profissionais do AEE e do Departamento de Educação Especial para contribuir com o desenvolvimento pedagógico e a participação dos estudantes nas atividades escolares.
Outro suporte importante é a parceria com a PAE, que atende crianças de zero a cinco anos e contribui com ações de estimulação precoce, atividades físicas e fonoaudiologia.
Protocolo orienta a identificação das dificuldades
Um dos principais avanços apresentados durante a entrevista foi a criação de um fluxo de acompanhamento para identificar as necessidades dos estudantes e definir os encaminhamentos adequados.
O processo começa com a observação do professor, que utiliza um checklist para registrar aspectos relacionados à aprendizagem, à comunicação, à alimentação, à interação social e ao desenvolvimento da criança. As informações são encaminhadas ao coordenador pedagógico, responsável por conversar com a família e reunir outros dados relevantes.
Na sequência, conforme a necessidade identificada, o caso pode passar por atendimento psicossocial, com participação de profissionais da psicologia e do serviço social. Quando indicado, a família é orientada a procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) para avaliação de profissionais como pediatras, fonoaudiólogos, psicólogos ou neuropediatras.
Berenice e Roma ressaltaram que observar dificuldades de comportamento ou aprendizagem não significa estabelecer um diagnóstico. A avaliação deve considerar as características de cada criança e as informações reunidas ao longo do acompanhamento.
Roma também destacou que o suporte escolar não deve depender exclusivamente da apresentação de um diagnóstico formal. Segundo ele, a escola pode começar a organizar estratégias pedagógicas e um planejamento individualizado quando identifica que o estudante precisa de apoio.
Materiais adaptados e inclusão na prática
Para ampliar as possibilidades de aprendizagem, o departamento desenvolveu, em conjunto com as escolas e os profissionais do AEE, 120 jogos pedagógicos confeccionados com materiais recicláveis. Os recursos trabalham habilidades como coordenação motora, classificação, organização, reconhecimento de letras e números.
A rede também utiliza apostilas adaptadas e diferentes estratégias de ensino para atender às necessidades dos estudantes. O objetivo é ajustar as atividades e os recursos pedagógicos para favorecer a participação em sala de aula e o desenvolvimento individual.
De acordo com Berenice, o levantamento das necessidades foi realizado escola por escola, permitindo compreender melhor a demanda e organizar a distribuição dos profissionais. O município também conta com um veículo próprio para facilitar o deslocamento da equipe e o acompanhamento das famílias nas unidades escolares.
Família e escola atuam em conjunto
Durante a entrevista, os profissionais reforçaram que a inclusão exige uma atuação integrada entre educação, saúde, assistência social e família. O acolhimento dos responsáveis e a troca de informações são considerados fundamentais para compreender as necessidades dos estudantes e construir estratégias de acompanhamento.
Berenice compartilhou o caso de uma criança que enfrentava dificuldades para entrar em uma nova escola. Com o envolvimento da família, da equipe escolar e da rede de apoio, o processo de adaptação avançou gradualmente. Posteriormente, a criança passou a entrar na sala de aula, interagir e demonstrar progressos na aprendizagem.
Para os profissionais, experiências como essa mostram a importância de respeitar o tempo de cada estudante e oferecer apoio contínuo. A proposta do Departamento de Educação Especial é fortalecer a estrutura de atendimento e ampliar as condições para que as crianças tenham acesso à aprendizagem, à convivência e à inclusão na rede municipal.












