PolíticaAlesc debate prevenção a chuvas intensas em SC

Alesc debate prevenção a chuvas intensas em SC

Lideranças políticas, representantes de órgãos públicos, meteorologistas e entidades da sociedade civil se reuniram na manhã desta sexta-feira (22), na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), em Florianópolis, para discutir ações de prevenção e resposta a possíveis eventos climáticos extremos nos próximos meses, diante das projeções de aumento das chuvas associadas ao fenômeno El Niño. Segundo informações apresentadas na audiência pública, a preocupação é reduzir riscos à população, ao patrimônio e à infraestrutura do estado.

O encontro foi proposto pelo deputado Matheus Cadorin (Novo), presidente da Comissão de Economia, Ciência, Tecnologia e Inovação da Alesc. A audiência reuniu representantes da Defesa Civil, Epagri, Dnit, Ministério Público de Santa Catarina e entidades ligadas à prevenção de cheias.

Prevenção contra eventos extremos

Durante a audiência, Cadorin afirmou que o objetivo foi compreender a gravidade do cenário projetado e conhecer as medidas adotadas pelo poder público para proteger a população catarinense.

“Se há um estado capaz de se organizar para enfrentar situações como essa, é Santa Catarina. Mas, diante das previsões, é fundamental que adotemos medidas desde já para que possamos atuar de forma integrada e coordenada. Cada um dos setores aqui representados é parte essencial dessa rede de proteção aos catarinenses. Precisamos entender as necessidades de cada elo dessa cadeia e nos preparar conjuntamente para que, caso esses eventos se concretizem, seus impactos sejam minimizados pela nossa capacidade de organização”, afirmou o deputado.

O parlamentar também informou que, após a audiência, será criado um grupo de estudos para acompanhar o andamento das ações apresentadas e reunir as sugestões debatidas durante o encontro.

El Niño pode ampliar volume de chuvas

Na abertura da reunião, o meteorologista Leandro Puchalski explicou que o El Niño é caracterizado, no Brasil, pelo aumento dos volumes de chuva na região Sul e por períodos de estiagem no Norte e na Amazônia, principalmente entre o fim da primavera e o início do verão.

Segundo ele, os primeiros sinais de formação do fenômeno já foram observados, entre eles a elevação de 0,5ºC na temperatura média das águas do Oceano Pacífico na faixa do Equador. Caso a tendência continue, o El Niño deve estar configurado em junho.

Puchalski ponderou, no entanto, que a ocorrência do fenômeno não significa, de forma automática, a repetição de grandes cheias registradas em anos anteriores.

“O fato de termos El Niño não significa necessariamente que teremos enchentes de grandes proporções. Essa não é uma relação direta. O fenômeno indica aumento dos volumes de chuva e da ocorrência de eventos extremos, mas existem outros fenômenos de menor escala que podem tanto minimizar quanto potencializar sua influência”, afirmou.

De acordo com o meteorologista, a intensidade das chuvas poderá ser indicada com mais precisão a partir de setembro.

Impactos no campo

A meteorologista da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), Marilene de Lima, reforçou que os efeitos do aquecimento das águas do Pacífico costumam ser percebidos nos meses seguintes.

“Embora o aquecimento das águas do Pacífico comece agora, é importante destacar que seus efeitos são sentidos nos meses seguintes. Em Santa Catarina, os impactos do El Niño costumam ocorrer principalmente durante a primavera, a partir de setembro, quando já há aumento das chuvas. No entanto, os maiores volumes e a maior frequência de precipitações geralmente são registrados nos meses de outubro e novembro”, explicou.

Diante desse cenário, a Epagri vem preparando orientações voltadas aos produtores rurais. Entre as medidas estão recomendações sobre culturas mais suscetíveis a doenças devido ao aumento da umidade, uso de áreas menos sujeitas a alagamentos e ajustes no calendário de safras.

Defesa Civil reforça estrutura

O secretário-adjunto da Defesa Civil de Santa Catarina, General Ricardo Miranda, afirmou que o governo do Estado já vem adotando medidas para ampliar a capacidade de prevenção e resposta, independentemente da confirmação do El Niño.

Segundo ele, o orçamento da Defesa Civil foi dobrado neste ano, chegando a R$ 330 milhões. Entre as ações destacadas estão limpeza e desassoreamento de rios, entrega de kits de pontes e substituição de travessias de madeira.

“Em paralelo, também estamos mobilizando os municípios e orientando a adoção de medidas, porque são eles que realizam o primeiro atendimento e a primeira assistência à população. Precisamos nos preparar para aquilo que consideramos a pior hipótese, que é a confirmação do El Niño”, afirmou.

Miranda também citou a decretação do estado de alerta climático em Santa Catarina. Conforme explicou, a medida permite a criação de um comitê para articular ações em áreas como infraestrutura, assistência social, saúde, segurança pública e Defesa Civil.

“Esse decreto é inédito no país e traz a clareza de que a responsabilidade é de todos e que todos precisam começar a agir desde já”, frisou.

Rodovias federais estão no radar

O superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Amauri Souza Lima, afirmou que o órgão elaborou um plano emergencial com base nos impactos das chuvas registradas entre 2023 e 2024, quando houve interrupções em oito pontos de rodovias federais em Santa Catarina.

“Essa projeção foi feita principalmente em relação a trechos de serra e trechos onde o relevo é bastante acidentado, para podermos antecipar o que possa ocorrer, como ruptura de aterros e quedas de barreiras, e reforçar pontos de proteção. Evidentemente que quando você tem 1.600 quilômetros de rodovias você não sabe onde isso pode ocorrer, mas estamos preparados”, afirmou.

Entre os pontos considerados mais sensíveis estão a Serra da Rocinha e trechos das rodovias 280, nas proximidades de Araquari, e 163.

Municípios terão planos avaliados

O Ministério Público de Santa Catarina também apresentou medidas relacionadas à preparação dos municípios. Segundo a promotora de Justiça Raíza Alves Rezende, do Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente, o órgão orienta desde o início de maio suas unidades em todo o estado a levantarem informações sobre o nível de preparo das cidades para enfrentar eventos climáticos extremos.

O levantamento inclui a existência de planos de contingência, recursos destinados à proteção e defesa civil, obras de limpeza e drenagem de rios, cadastro de famílias em áreas de risco e disponibilidade de abrigos para pessoas e animais.

“As respostas já estão chegando e, a partir delas, os promotores de Justiça de cada comarca irão atuar de forma coordenada, buscando fortalecer as ações da Defesa Civil e orientar os municípios na adoção das medidas necessárias”, afirmou.

Vale do Itajaí cobra obras contra cheias

A audiência também teve participação do Fórum Permanente para Solução das Cheias do Vale do Itajaí. O presidente da entidade, Higor Maciel Borges, destacou a necessidade de avanço em obras previstas no Plano Jica, elaborado pela Agência de Cooperação Internacional do Japão.

O documento prevê intervenções na Bacia Hidrográfica do Rio Itajaí para reduzir riscos de cheias e mitigar desastres. Entre as ações estão barreiras de contenção, modernização de barragens, construção de novas estruturas, dragagem e melhorias hidráulicas, incluindo estudos para um novo canal de escoamento na foz do Rio Itajaí-Açu, em Navegantes.

“Hoje a gente espera muito que as obras que estão no Plano Jica saiam do papel e precisamos começar o quanto antes para termos um futuro melhor para todos, mais garantido”, afirmou Borges.

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