Alunos do 1º ano do Colégio Michel participaram, nesta segunda-feira (18), de uma visita ao Museu da Infância, espaço vinculado à Unesc, em Criciúma, como parte da programação da 24ª Semana Nacional de Museus, realizada entre os dias 18 e 24 de maio para valorizar a memória, o brincar e o papel educativo dos museus. As informações foram divulgadas pela Unesc.
Durante a atividade, as crianças tiveram contato com brinquedos antigos, objetos produzidos com materiais recicláveis e experiências que aproximam infância, criatividade e convivência. A proposta também buscou ampliar o diálogo entre as formas de brincar do passado e do presente, especialmente em um contexto marcado pelo uso crescente de telas.
Brincar como experiência de aprendizagem
A professora Rosane Destro Pirola explicou que a visita foi organizada como continuidade de um trabalho desenvolvido em sala de aula. Antes de conhecer o museu, os estudantes entrevistaram familiares mais velhos para compreender como eram as brincadeiras em outras gerações.
“Estamos fazendo comparações entre os brinquedos atuais e os brinquedos de antigamente. Antes de vir para cá, os alunos fizeram entrevistas com familiares mais velhos para entender como era o modo de brincar e quais brinquedos utilizavam”, afirmou.
Após a etapa de pesquisa, os próprios alunos produziram brinquedos com materiais alternativos. Segundo a professora, a experiência contribui para ampliar a percepção sobre reaproveitamento, criatividade e construção coletiva.
“Em sala de aula, também construímos brinquedos a partir de materiais alternativos. Então, a proposta é mostrar que o brincar também ocupa outros espaços de formação. Muitas vezes, as crianças enxergam a Universidade como um espaço só para adultos, mas aqui elas percebem que também existem ambientes preparados para acolher grupos e proporcionar experiências lúdicas”, destacou.
Rosane também ressaltou que o contato com brinquedos antigos permite às crianças experimentar formas de brincar que não dependem de tecnologia.
“O contato com brinquedos antigos também ajuda as crianças a saírem um pouco das telas. Acho importante perceberem que nada precisa ser simplesmente descartado. Materiais que poderiam ir para o lixo podem se transformar em brinquedos criativos, divertidos e sociáveis”, acrescentou.
Memória, convivência e pertencimento
No Museu da Infância da Unesc, a programação propõe uma reflexão sobre o valor das experiências simples, do contato manual, da interação entre crianças e da relação com a natureza. Para Rosane, o espaço ajuda a reforçar a importância de olhar para objetos e práticas cotidianas com mais atenção.
“É uma forma de valorizar o que se tem em casa, valorizar as pequenas coisas, sem permanecer apenas na lógica do consumo impulsionado pela publicidade ou pela repetição social. O mais importante é o contato manual, a interação e também a aproximação com a natureza”, concluiu.
A coordenadora do Setor de Arte e Cultura da Unesc, Amalhene Baesso Reddig, a Lenita, destacou que a Semana Nacional de Museus amplia a dimensão educativa e social do espaço, ao aproximar visitantes de temas como memória, ética, democracia, pertencimento e convivência coletiva.
“Durante todo o ano, o Museu da Infância está de portas abertas para visitantes, crianças, idosos, pesquisadores e estudiosos da área. Agora, especificamente na Semana Nacional de Museus, teremos mediações de segunda a sexta-feira, escolas visitando o espaço, debates sobre ética, democracia, direito à memória, além de rodas de conversa sobre infância e paz”, afirmou.
Museu aberto à comunidade
De acordo com Lenita, as atividades da semana também fortalecem a relação entre infância, natureza e experiências compartilhadas. Entre as ações previstas estão o cultivo de ipês e a produção de mandalas com elementos naturais.
“Na quarta-feira, teremos o cultivo de ipês branco, rosa, roxo e amarelo, além da produção de mandalas com elementos da natureza. É um momento pensado para estimular pertencimento, cuidado coletivo e contato direto com o ambiente natural”, observou.
A coordenadora definiu o Museu da Infância como um espaço sem paredes, inserido em uma universidade comunitária e aberto a diferentes públicos.
“É importante pensar que este é um museu sem paredes, dentro de uma Universidade Comunitária, aberto para todos os públicos. A partir dele, temos a possibilidade de refletir sobre pertencimento, desigualdades, democracia e sobre como nos comprometemos coletivamente com ações que reafirmam a importância desse cotidiano institucional”, acrescentou.
Para Lenita, o museu também reforça o potencial do campus universitário como ambiente de convivência e formação humana.
“O museu é um espaço vivo para a construção de uma sociedade plural, comprometida com igualdade e dignidade humana. Receber visitantes aqui também significa pensar o campus como um ambiente com potencial para Ensino, Pesquisa e Extensão, mas igualmente para experiências ligadas à natureza e à convivência”, completou.
Semana Nacional de Museus
Coordenada pelo Instituto Brasileiro de Museus, a 24ª Semana Nacional de Museus ocorre entre os dias 18 e 24 de maio em instituições de diferentes regiões do país. Neste ano, o tema é “Museus: Unindo um Mundo Dividido”, com foco no papel social, cultural e formativo dos espaços museológicos.













