SaúdeAnvisa alerta para venda ilegal de retatrutida

Anvisa alerta para venda ilegal de retatrutida

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta nesta sexta-feira (24) informando que a retatrutida, substância em desenvolvimento para tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, não possui aprovação para uso ou comercialização em nenhum país. A orientação vale para consumidores em todo o Brasil e ocorre diante da oferta crescente de produtos anunciados como contendo o medicamento em sites, redes sociais e no mercado paralelo.

Segundo a agência, a retatrutida ainda está em fase de desenvolvimento clínico e não teve seu registro solicitado à Anvisa nem a outras autoridades regulatórias internacionais. Por esse motivo, qualquer produto comercializado atualmente com o nome da substância é considerado irregular e não possui garantia de qualidade, eficácia ou segurança.

Embora os estudos mais recentes tenham apresentado resultados promissores, com perda média de até 28,3% do peso corporal em pacientes acompanhados por até 80 semanas, a fabricante Eli Lilly ainda precisa concluir todas as etapas de pesquisa antes de solicitar autorização para venda. Os testes em andamento avaliam doses adequadas, possíveis efeitos adversos, contraindicações, interações medicamentosas e a manutenção dos benefícios ao longo do tempo.

A Anvisa destaca que a aprovação de um medicamento depende da análise detalhada dos dados clínicos, dos processos de fabricação, da composição do produto e dos mecanismos de controle de qualidade. Até que esse processo seja concluído, a comercialização permanece proibida.

A substância ganhou destaque por apresentar resultados expressivos na redução de peso e no controle da glicemia. Em estudo publicado na revista científica The Lancet, mais de 65% dos participantes que receberam a maior dose deixaram de se enquadrar nos critérios de obesidade definidos pelo Índice de Massa Corporal (IMC). Pesquisas também apontaram possíveis benefícios para pacientes com apneia obstrutiva do sono e osteoartrite no joelho.

A retatrutida pertence à mesma categoria das chamadas canetas emagrecedoras, mas atua simultaneamente sobre três mecanismos hormonais relacionados ao controle da fome, da glicose e do gasto energético. Apesar das semelhanças com medicamentos já aprovados, como semaglutida e tirzepatida, cada substância precisa passar por avaliações próprias antes de receber autorização para uso.

O órgão regulador alerta ainda que os riscos dos produtos clandestinos vão além dos efeitos da própria substância. Sem fiscalização sanitária, não há garantia sobre a composição, a dosagem, a procedência ou as condições de fabricação, transporte e armazenamento. Em alguns casos, os produtos podem conter impurezas, microrganismos, concentrações diferentes das informadas ou até mesmo não possuir o princípio ativo anunciado.

A agência reforça que não existe previsão oficial para a chegada da retatrutida ao mercado. Mesmo assim, versões supostamente contendo a substância continuam sendo apreendidas em operações de fiscalização. Apenas nos três primeiros meses de 2026, o valor das canetas emagrecedoras irregulares apreendidas nas fronteiras brasileiras ultrapassou R$ 11 milhões.

Diante desse cenário, a Anvisa orienta a população a não adquirir nem utilizar medicamentos sem registro sanitário, ressaltando que a comercialização de produtos irregulares representa risco à saúde e pode configurar crime.

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