A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do medicamento Xcopri (cenobamato) para o tratamento de crises focais em adultos com epilepsia farmacorresistente no Brasil. A autorização, concedida à Momenta Farmacêutica, ocorre durante o mês de conscientização sobre a doença e busca oferecer uma nova alternativa terapêutica para cerca de 30% dos pacientes que não respondem aos tratamentos convencionais, reduzindo a atividade elétrica anormal no cérebro.
Eficácia e resultados clínicos
De acordo com informações divulgadas pela Anvisa, o cenobamato demonstrou redução significativa na frequência das crises durante os estudos clínicos. Os dados apontam que quatro em cada dez pacientes que utilizaram a dosagem de 100 miligramas (mg) por dia apresentaram uma diminuição de pelo menos 50% nos episódios.
Entre os pacientes que receberam a dose de 400 mg diários, o índice de melhora atingiu 64%. Em comparação, o grupo que recebeu placebo durante os testes registrou uma redução de 26% nas crises. O medicamento atua diretamente no controle dos sinais elétricos incorretos emitidos pelo cérebro, que caracterizam a condição.
Regulação de preços e acesso ao mercado
Apesar da aprovação do registro sanitário pela Anvisa, o Xcopri ainda não está disponível para venda imediata. A comercialização depende da definição do preço máximo a ser estabelecido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).
Para que o fármaco seja disponibilizado no Sistema Único de Saúde (SUS), será necessária uma avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), seguida por uma decisão final do Ministério da Saúde.
Avanço terapêutico e impacto na saúde pública
A chegada da nova medicação é vista como um marco para o tratamento da doença no país. Segundo a neurologista e membro da diretoria da Liga Brasileira de Epilepsia (LBE), Juliana Passos, o medicamento representa um progresso fundamental. “Trata-se de medicação indicada no tratamento de pacientes com epilepsia farmacorresistente, cujos resultados foram muito superiores àqueles alcançados pelos novos medicamentos anti-crises disponíveis. Oferecer uma chance consideravelmente maior de controle das crises para esses pacientes é urgente”, afirma a especialista.
Entenda a epilepsia e o diagnóstico
A epilepsia é definida como uma alteração temporária e reversível do funcionamento cerebral. Durante as crises, uma parte do cérebro emite sinais incorretos que podem ficar restritos a uma área (crise parcial) ou se espalhar pelos dois hemisférios (crise generalizada).
O diagnóstico é realizado de forma clínica, baseando-se em exames físicos e no histórico detalhado fornecido pelo paciente ou por testemunhas. Informações sobre a ocorrência de auras — crises em que não há perda de consciência — e fatores que precipitam os episódios são fundamentais para o acompanhamento médico adequado.
Conscientização e o março roxo
A aprovação do medicamento coincide com o Março Roxo, período dedicado à conscientização sobre a epilepsia, que tem seu ponto alto no dia 26 de março. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 65 milhões de pessoas convivam com a condição no mundo, sendo mais de 2 milhões apenas no Brasil.
A campanha busca reduzir o estigma social e promover a compreensão sobre a patologia. Conforme dados da LBE, além dos desafios clínicos, os pacientes enfrentam barreiras impostas pelo preconceito e pela desinformação na sociedade.













