Funcionários da Caixa Econômica Federal iniciam uma greve nacional por tempo indeterminado nesta quinta-feira (10), enquanto trabalhadores do Banco do Brasil realizam paralisações parciais em algumas regiões do país. Os movimentos ocorrem após divergências na aprovação dos acordos coletivos da categoria.
Na Caixa, a paralisação foi aprovada pelos trabalhadores e ocorre em razão da rejeição da proposta apresentada para renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), mais de 90% das bases sindicais rejeitaram a proposta.
A decisão de greve foi aprovada pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região em assembleia encerrada em 4 de agosto. A paralisação tem abrangência nacional e deve continuar até que eventuais avanços nas negociações sejam avaliados em novas assembleias.
Um dos principais pontos de divergência envolve o Saúde Caixa, além de outras reivindicações apresentadas pelos empregados desde junho. Na terça-feira (8), a Caixa encaminhou ofício à Contraf-CUT para retomar as negociações. Uma nova reunião foi marcada para a manhã desta quinta-feira (10).
Banco do Brasil terá paralisação em algumas bases
No Banco do Brasil, o movimento não ocorre de forma nacional. A paralisação está restrita às bases sindicais que rejeitaram a nova Convenção Coletiva de Trabalho (CCT).
Embora parte dos sindicatos tenha aprovado o acordo, outras 60 entidades votaram contra a proposta. Entre as regiões que não aprovaram estão Brasília, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Pernambuco e Florianópolis.
O Banco do Brasil informou que participou das negociações conduzidas pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), além de manter uma mesa específica com as entidades sindicais para discutir questões próprias dos funcionários da instituição.
Para atender os clientes durante o período de paralisação, o banco orienta o uso do aplicativo, Internet Banking, correspondentes bancários, Central de Relacionamento e WhatsApp.
Acordo nacional prevê reajuste e novas regras
A nova CCT dos bancários foi assinada na quarta-feira (9), em São Paulo, pela Fenaban e pelas entidades sindicais. O documento estabelece regras nacionais para cerca de 414 mil bancários de 171 bancos, distribuídos por aproximadamente 3,6 mil municípios.
O acordo prevê reposição integral da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), além de aumento real de 0,6% nos próximos dois anos. O reajuste também alcança benefícios como vale-alimentação, vale-refeição, Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e outros auxílios.
Entre as medidas previstas estão ações relacionadas à saúde mental, combate ao assédio, direito à desconexão fora do horário de trabalho e maior transparência sobre o monitoramento digital dos funcionários.
A convenção também estabelece um programa de qualificação e recolocação profissional e prevê melhorias na indenização destinada a trabalhadores de bancos privados demitidos em razão do fechamento de agências.
De acordo com o Sindicato dos Bancários de São Paulo, a negociação foi concluída após 13 rodadas realizadas ao longo de mais de dois meses. A entidade também aponta como próximos temas a aplicação da NR-1, o combate às metas consideradas abusivas e a busca por ambientes de trabalho mais saudáveis.
Atendimento aos clientes
Apesar das paralisações, os bancos informaram que os clientes continuam tendo acesso a canais digitais e remotos.
A Caixa orienta o uso do App CAIXA, Internet Banking, WhatsApp CAIXA, CAIXA Tem e atendimento telefônico. Também permanecem disponíveis caixas eletrônicos, Banco24Horas, casas lotéricas e Correspondentes CAIXA Aqui.
O Banco do Brasil disponibiliza o aplicativo, Internet Banking, correspondentes bancários, Central de Relacionamento pelos telefones 4004-0001, para capitais e regiões metropolitanas, e 0800 729 0001, para as demais localidades. O WhatsApp da instituição também pode ser utilizado pelo número (61) 4001-0001.
A Fenaban informou que recebeu em 24 de junho a pauta de reivindicações dos bancários e que as negociações gerais foram encerradas em 9 de setembro, com a assinatura da convenção coletiva de abrangência nacional e unificada.












