A análise do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia foi interrompida na Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul nesta terça-feira (10). A suspensão ocorreu após o deputado Renildo Calheiros (PCdoB-PE) apresentar um pedido de vista, adiando a decisão sobre a proposta no âmbito do colegiado. Segundo informações da Agência Senado, os trabalhos devem ser retomados no dia 24 de fevereiro, a partir das 10h, quando será votado o relatório apresentado pelo deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP).
O texto em discussão estabelece as bases para a criação de uma das maiores áreas de livre comércio do planeta. O relatório de Chinaglia ressalta que o tratado prevê a redução gradual de tarifas alfandegárias e a proteção de setores econômicos considerados sensíveis, além de estipular normas para a solução de controvérsias entre os países integrantes. “Trata-se de um marco na relação bilateral, que integra dois dos maiores blocos econômicos do mundo e estabelece bases de previsibilidade e transparência para o comércio”, afirmou o relator durante a leitura do documento.
Visão estratégica e competitividade
O debate sobre o tratado, que já perdura por mais de duas décadas, é visto por parlamentares como uma política de Estado fundamental para a inserção internacional do Brasil. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) enfatizou a relevância do mercado de mais de 700 milhões de pessoas envolvido na negociação.
Para a senadora, embora o processo exija concessões mútuas, os benefícios superam os desafios. “É um dos maiores acordos de livre comércio do mundo, que envolve mais de 700 milhões de pessoas e exige concessões de todos os lados. Esse tratado pode trazer ganhos de competitividade, inovação e fortalecimento do agronegócio brasileiro, apesar das salvaguardas adotadas pela União Europeia”, frisou Tereza Cristina.
Impactos na economia e no bolso do consumidor
Além do fortalecimento institucional, o acordo promete reflexos práticos na economia doméstica. O senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE), apontou que a parceria deve impulsionar as exportações brasileiras e gerar novos postos de trabalho. Outro ponto destacado pelo parlamentar é a expectativa de redução de preços para o consumidor final em diversos segmentos de produtos importados.
“Vinhos, chocolates, medicamentos, máquinas e carros europeus tendem a ficar mais acessíveis. Mais do que isso, vamos mandar produtos nossos com preços competitivos para lá, é algo muito positivo que vai incrementar a nossa economia”, declarou Trad. O senador informou ainda que a meta é concluir a votação do parecer logo após o período de carnaval, permitindo que a matéria siga para análise nos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.












