A construção civil em Santa Catarina deve encerrar 2026 com crescimento de 1,94%, segundo projeção da área econômica da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), divulgada nesta quinta-feira (7), em Florianópolis. A estimativa aponta avanço moderado em razão da taxa de juros elevada, da desaceleração do crédito imobiliário e da pressão inflacionária sobre os custos do setor.
Juros e inflação pressionam o setor
De acordo com o estudo da FIESC, o desempenho da construção civil catarinense em 2026 será influenciado por um ambiente econômico de cautela. Entre os principais fatores estão a restrição de crédito, o encarecimento dos financiamentos e o aumento dos custos de materiais e serviços.
O economista-chefe da FIESC, Pablo Bittencourt, afirma que o conflito no Oriente Médio também gera preocupação para o setor, especialmente pelos possíveis impactos sobre a taxa básica de juros e sobre os preços dos insumos usados nas obras.
“O custo da construção já está pressionado pela escassez de mão de obra, já que estamos em pleno emprego. Além disso, a escalada de preços do petróleo, motivada pelas tensões no Irã, também impacta os preços de matérias primas como tubos de PVC, cimento e tintas, por exemplo”, informa.
Segundo os dados citados pela federação, a inflação da construção civil acumulada em doze meses até março, medida pelo INCC-DI, chegou a 5,86%. Projeções da Fundação Getúlio Vargas (FGV) indicam que, caso os aumentos esperados pelo setor se confirmem, o indicador poderá atingir 9,72% ao fim de 2026. Em 2025, o acumulado foi de 5,92%.
Crédito imobiliário preocupa a construção
A restrição de crédito também aparece como um dos principais pontos de atenção no levantamento. Conforme a FIESC, a redução na captação de recursos da poupança, uma das principais fontes de financiamento da casa própria no Brasil por meio do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), tende a afetar o ritmo de novos projetos.
Bittencourt avalia que esse movimento pode tornar o financiamento mais caro e limitar lançamentos imobiliários.
“O esvaziamento da principal fonte de financiamento imobiliário restringe e encarece o crédito. Isso leva o segmento a buscar outras fontes de captação, mais caras, o que pressiona novos lançamentos”, afirma.
Litoral Norte mantém destaque em Santa Catarina
Apesar do cenário de crescimento moderado no estado, o estudo aponta diferenças regionais no desempenho da construção civil. O Litoral Norte segue como o principal polo de obras verticais em Santa Catarina, com destaque para a região da Foz do Rio Itajaí.
Conforme a FIESC, cidades como Itapema e Porto Belo continuam sendo impulsionadas pelo chamado “transbordamento imobiliário”, fenômeno relacionado à saturação de polos como Balneário Camboriú e à expansão de investimentos para municípios vizinhos.
Itapema lidera a região em novas obras. No município, a construção civil representa 35,44% dos empregos formais, enquanto a média estadual é de 5,51%. Já Porto Belo aparece como uma nova fronteira de expansão, com crescimento de 20,8% nas vagas em 2025.
O levantamento também mostra que Itapema e Porto Belo registram, cada uma, volume de novas obras residenciais multifamiliares comparável ao de Joinville, maior cidade de Santa Catarina.
Cenários para 2027 dependem de juros e petróleo
A FIESC também traçou possíveis cenários para a construção civil catarinense em 2027. As projeções consideram variáveis macroeconômicas, como taxa de juros, preço do petróleo e duração do conflito no Oriente Médio.
Cenário de maior risco
No cenário mais adverso, a construção civil teria crescimento de 1,41% em 2027. A projeção considera um conflito prolongado, com duração superior a doze meses, petróleo acima de US$ 100 e manutenção da Selic acima de 14%, com tendência de alta.
Cenário base
No cenário base, a expectativa é de alta de 2,47%. A estimativa leva em conta juros em 11%, petróleo entre US$ 70 e US$ 80 e resolução da situação no Oriente Médio em até sessenta dias.
Cenário otimista
Já no cenário mais favorável, o crescimento projetado é de 2,93%. A previsão considera resolução do conflito em até sessenta dias, juros em 9,5% e petróleo entre US$ 70 e US$ 80.











