EconomiaCusto de matéria-prima dispara com guerra no Oriente Médio

Custo de matéria-prima dispara com guerra no Oriente Médio

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta sexta-feira (24), em âmbito nacional, os resultados da Sondagem Industrial que revelam uma disparada de 10,8 pontos nos custos das matérias-primas no primeiro trimestre de 2026, movimento provocado pela alta do petróleo e insumos decorrentes da guerra no Oriente Médio. O indicador saltou de 55,3 pontos no quarto trimestre de 2025 para 66,1 pontos no período atual, atingindo o patamar mais elevado desde o segundo trimestre de 2022, época de recuperação do comércio global pós-pandemia.

Impactos financeiros e dificuldades no acesso ao crédito

A elevação nos custos de produção afetou diretamente a saúde financeira das empresas. Segundo os dados da Sondagem Industrial da CNI, o índice de satisfação com as condições financeiras recuou de 50,1 pontos para 47,2 pontos entre o último trimestre de 2025 e o primeiro de 2026. O lucro operacional também registrou queda de 2,6 pontos, fixando-se em 41,9 pontos — o menor valor desde o segundo trimestre de 2020.

O cenário é agravado pela restrição de crédito. O indicador de acesso a financiamentos caiu para 39 pontos, a pior marca registrada nos últimos três anos. Ao situar-se abaixo da linha de 50 pontos, o índice demonstra que os industriais encontram dificuldades severas para obter recursos no mercado financeiro.

Principais entraves para o setor industrial

A carga tributária permanece como o principal obstáculo para o desenvolvimento do setor, sendo apontada por 34,8% dos empresários consultados. Entretanto, a falta ou o alto custo de matérias-primas apresentou o salto mais expressivo no ranking de problemas, subindo da sexta para a segunda posição ao ser citada por 30,8% dos entrevistados.

Em análise sobre o cenário econômico, o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, explica os fatores que pressionam o setor. “A maior preocupação dos empresários com a falta ou alto custo das matérias-primas reflete o que vem acontecendo no conflito no Oriente Médio, que vem aumentando os custos com petróleo e outros insumos importantes. Isso e os juros altos estão afetando o fôlego financeiro das empresas”, avalia Azevedo. Os juros altos, por sua vez, ocupam agora a terceira colocação entre os entraves, mencionados por 27,2% dos industriais.

Recuperação da produção e mercado de trabalho

Apesar das pressões de custo, a atividade produtiva apresentou reação em março de 2026. O índice de evolução da produção subiu 8,3 pontos em comparação a fevereiro, atingindo 53,7 pontos. Esse crescimento impulsionou a Utilização da Capacidade Instalada (UCI), que passou de 66% para 69%, superando a média histórica para o mês.

No que diz respeito aos estoques, o índice de 49,5 pontos indica que o volume de produtos armazenados ainda está abaixo do planejado pelas empresas. Já o mercado de trabalho industrial completou 13 meses consecutivos de retração. Embora o índice de emprego tenha subido de 48 para 49,1 pontos em março, o valor abaixo de 50 pontos confirma a continuidade do fechamento de postos de trabalho no setor.

Expectativas para o próximo semestre e investimentos

O aumento da produção em março gerou reflexos positivos nas projeções empresariais. Para abril, houve crescimento nas expectativas de demanda por produtos industriais (53,9 pontos), compra de insumos (52,5 pontos) e volume de exportações (50,9 pontos). No entanto, a previsão para o número de empregados aponta estabilidade, com 50,1 pontos.

A incerteza externa e a manutenção de taxas de juros elevadas, contudo, desestimulam novos aportes. A intenção de investimento registrou a quarta queda mensal consecutiva, recuando para 53,7 pontos em abril. A Sondagem Industrial da CNI foi realizada entre 1 e 13 de abril de 2026, ouvindo 1.406 empresas de pequeno, médio e grande porte.

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