O deputado Maurício Eskudlark (PL) utilizou tecnologia de inteligência artificial para discursar durante a sessão plenária da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), nesta quarta-feira (25), em Florianópolis. O parlamentar, que enfrenta limitações na fala e nos movimentos devido ao diagnóstico de Esclerose Lateral Primária, recorreu à ferramenta para reafirmar seu compromisso com a defesa de tratamentos para pacientes acometidos por doenças raras e degenerativas. Conforme dados divulgados pela Agência AL, o uso da tecnologia permitiu que o deputado mantivesse sua participação ativa no horário das breves comunicações.
Uso de tecnologia e superação em plenário
Maurício Eskudlark, que cumpre seu quarto mandato consecutivo, relatou a deterioração de sua saúde após o diagnóstico inicial de Parkinson ter sido substituído pelo de Esclerose Lateral Primária. Mesmo com as dificuldades físicas, o parlamentar assegurou a continuidade de suas atividades no Legislativo catarinense. “Sigo com disposição e vontade de defender os catarinenses”, afirmou o deputado por meio da voz sintetizada.
A iniciativa foi elogiada por colegas de parlamento. O deputado Mário Motta (PSD) ressaltou que a situação demonstra como a inteligência artificial pode ser aplicada de forma positiva para superar barreiras. O quarto secretário da Mesa, Jair Miotto (União), que presidia a sessão no momento, também manifestou apoio à conduta de Eskudlark em plenário.
Críticas ao planejamento agrícola e infraestrutura
O setor produtivo também foi pauta das discussões parlamentares. Mário Motta criticou a ausência de uma política agrícola estratégica que assegure o escoamento das safras no estado. Ele citou o caso de um produtor de Jacinto Machado que descartou seis toneladas de pitaya por falta de mercado. O parlamentar informou que a Comissão de Agricultura agendou uma audiência pública para discutir a crise na produção de cebola, possivelmente em Ituporanga. Segundo Motta, “a falha estrutural do mercado agrícola revela falta de coordenação e estratégia”.
Prevenção de cheias e atendimento a autistas
No âmbito da infraestrutura urbana, o deputado Sérgio Guimarães (União) questionou a gestão de Palhoça após as inundações registradas na noite de terça-feira (24). O parlamentar defendeu o investimento em tecnologias de macrodrenagem, citando o modelo adotado por Biguaçu como referência para mitigar transbordamentos de rios durante chuvas intensas.
Já o deputado Ivan Naatz (PL) sugeriu a criação de instituições estaduais para abrigar autistas de grau três, com foco em casos que apresentam crises violentas. Naatz fundamentou a proposta citando que Santa Catarina confirmou 46 mil casos de autismo em 2025. O deputado apontou que, embora as Associações de Pais e Amigos dos Autistas (AMAs) realizem um trabalho relevante, a fila de espera por atendimento chega a 2,6 mil pessoas.
Embates jurídicos e fiscalização financeira
A deputada Ana Campagnolo (PL) utilizou a tribuna para comunicar vitórias judiciais em processos cíveis e criminais. As ações foram movidas contra uma participante de reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em 2023, que havia acusado a parlamentar de racismo após um posicionamento contrário a cotas em concursos da Alesc. Campagnolo afirmou que a indenização de R$ 4,8 mil será destinada a projetos de estudo e reiterou sua condenação a práticas racistas.
Saúde pública e cartões corporativos
Na área da saúde, Neodi Saretta (PT) analisou os dados da última audiência quadrimestral. O deputado apontou carências persistentes em cirurgias ortopédicas de alta complexidade, como próteses de joelho e quadril. Saretta também levantou questionamentos sobre a redução da judicialização de medicamentos, indagando se o fato decorre da melhora na oferta ou de falhas no acesso dos pacientes.
Por fim, o deputado Jessé Lopes (PL) apresentou um comparativo entre gastos de cartões corporativos da Presidência da República. De acordo com o parlamentar, o presidente Lula teria gasto R$ 1,4 bilhão em 2025, enquanto a quebra de sigilo do ex-presidente Bolsonaro revelou gastos de R$ 27 milhões. O deputado Sargento Lima (PL) encerrou as discussões criticando a concessão de Licença Ambiental Provisória para um terminal em São Francisco do Sul e a demolição de um viaduto pelo DNIT no Norte do estado.













