O pagamento de juros e amortizações da dívida pública federal, incluindo refinanciamento, representou 42,24% do orçamento da União efetivamente pago em 2025, segundo levantamento da Auditoria Cidadã da Dívida (ACD). Elaborado com dados do Painel do Orçamento Federal, o estudo aponta R$ 2,135 trilhões nessas operações, de um total de R$ 5,054 trilhões executados no período.
Na distribuição apresentada pela entidade, a Previdência Social correspondeu a 20,48% do total. Saúde e Educação representaram, respectivamente, 4,27% e 3,18%, conforme a metodologia do levantamento.
Percentual inclui a renovação da dívida
A interpretação dos números exige distinguir os juros, que correspondem ao custo do empréstimo, da amortização, que envolve a devolução do principal. O montante apresentado também inclui o refinanciamento da dívida.
Segundo o Tesouro Nacional, o refinanciamento ocorre quando recursos obtidos com a emissão de novos títulos públicos são utilizados para pagar dívidas que estão vencendo. Assim, parte dos pagamentos é financiada por novos empréstimos.
Por esse motivo, o percentual de 42,24% não significa que essa parcela dos impostos arrecadados tenha sido utilizada exclusivamente para pagar juros. O indicador reúne operações distintas e tem como referência o total do orçamento federal pago considerado pela ACD.
Despesas com pessoal integram as áreas do orçamento
Os custos de funcionamento dos órgãos públicos também precisam ser considerados na leitura dos dados. Conforme o Portal da Transparência, a classificação por função identifica a área de atuação do governo, enquanto a classificação por natureza permite distinguir despesas como pessoal, juros e investimentos. São formas diferentes de analisar os mesmos gastos.
Dessa forma, despesas classificadas em Saúde ou Educação podem incluir salários e manutenção das estruturas públicas, além dos serviços prestados à população. Um manual do Ministério da Saúde, por exemplo, relaciona pagamentos de servidores e manutenção de equipamentos entre as despesas das unidades de saúde.
O levantamento trata do orçamento federal. Os percentuais apresentados não representam, portanto, a soma de todos os gastos da União, dos estados e dos municípios nessas áreas.












