O Ministério da Saúde reforçou, nesta terça-feira (19), Dia Mundial da Doação de Leite Humano, o chamado para ampliar a participação de mães doadoras em todo o Brasil, com o objetivo de fortalecer a rede de bancos de leite do Sistema Único de Saúde (SUS) e garantir apoio a recém-nascidos prematuros e de baixo peso. Segundo a Agência Saúde, nos últimos cinco anos, a rede beneficiou 4,1 milhões de bebês.
Entre 2020 e 2025, 3,6 milhões de mães doaram leite humano no país. No mesmo período, 46,8 milhões de mulheres foram atendidas e mais de 4,2 milhões de litros de leite humano foram coletados em território nacional.
Rede brasileira é referência mundial
O Brasil possui a maior rede de bancos de leite humano do mundo, com 239 Bancos de Leite Humano e 261 Postos de Coleta distribuídos por todos os estados. O modelo brasileiro é reconhecido internacionalmente por combinar baixo custo, tecnologia, segurança sanitária e atendimento humanizado, servindo de referência para países da América Latina, África e Europa.
“O Brasil é uma referência mundial e amamentar é um gesto que vai além da nutrição. É um ato de cuidado, vínculo e saúde, com impactos positivos para o bebê e a mãe”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Para ampliar e qualificar os serviços, o Ministério da Saúde instituiu, em 2024, a Rede Alyne, iniciativa voltada à redução da mortalidade materna e infantil e ao fortalecimento do cuidado neonatal. Desde a criação do incentivo financeiro vinculado ao programa, R$ 93 milhões já foram repassados aos serviços em todo o país.
Campanha destaca solidariedade e cuidado neonatal
Neste ano, a campanha mundial de aleitamento tem como tema “Doação de Leite Humano: Solidariedade que nutre, vida que cresce”. A frase foi escolhida em votação internacional organizada pela Rede Global de Bancos de Leite Humano (rBLH), com participação de 37 países e quase 10 mil votos.
A proposta vencedora é de autoria da profissional de enfermagem equatoriana Rebeca Cadmelema Puyo. A mensagem busca reforçar a mobilização coletiva em torno da vida, da saúde dos bebês e do cuidado com famílias que enfrentam internações neonatais.
Pequenas quantidades podem fazer diferença
A campanha também procura ampliar o número de novas doadoras e combater a ideia de que é necessário produzir grandes volumes para contribuir. Conforme o Ministério da Saúde, dependendo da condição clínica e do peso do bebê, apenas 1 ml de leite humano pode ser suficiente em cada refeição.
Dados do Sistema de Informação da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH-BR) indicam que, a cada 12 mulheres acompanhadas pelos Bancos de Leite Humano, uma se torna doadora.
Em diversas regiões do país, a coleta pode ser feita diretamente na residência da doadora, em parceria com corpos de bombeiros ou outros serviços locais. Nos municípios sem coleta domiciliar, a orientação é procurar o Banco de Leite Humano ou Posto de Coleta mais próximo para receber informações sobre armazenamento e entrega.
Leite passa por controle antes da distribuição
Antes de ser destinado aos recém-nascidos internados em Unidades Neonatais, o leite humano doado passa por etapas técnicas, biológicas e sanitárias realizadas pelos Bancos de Leite Humano.
O processo inclui cadastro da doadora, recebimento, armazenamento, seleção, classificação, pasteurização, controle de qualidade microbiológica e distribuição. A oferta aos bebês ocorre conforme prescrição médica e/ou nutricional.
Caderneta digital reforça cuidado materno-infantil
O incentivo à amamentação e à doação de leite humano também integra as ações de fortalecimento do cuidado materno-infantil no SUS. Neste mês, o ministro Alexandre Padilha anunciou a primeira versão digital da Caderneta Brasileira da Gestante, disponível no aplicativo Meu SUS Digital.
A ferramenta reúne informações sobre gestação, parto, puerpério, vacinação, saúde mental, direitos das gestantes, amamentação e doação de leite humano. O documento também aborda temas como luto materno e parental, violência obstétrica e enfrentamento das desigualdades.













