A interdição total da Ponte Anita Garibaldi, na BR-101, em Laguna, reacendeu questionamentos sobre a segurança da estrutura após documentos apontarem que problemas considerados graves já haviam sido identificados em 2022. As informações foram reunidas pelo gabinete do deputado estadual Mário Motta (PSD), que obteve registros junto à concessionária Via Costeira e à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A apuração busca esclarecer por que a situação evoluiu até o fechamento da ponte em julho de 2026.
Os documentos indicam que a primeira ocorrência foi registrada durante uma inspeção de rotina realizada em outubro de 2022. Na ocasião, a Via Costeira comunicou ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e à ANTT a existência de falhas estruturais relacionadas ao pilar 35 da ponte.
Segundo os registros, foram encontradas aberturas entre aduelas em diferentes trechos da estrutura e o rompimento das quatro barras que conectavam a laje inferior entre duas dessas peças. A concessionária classificou o cenário como um risco de colapso estrutural, atribuindo a provável origem do problema a um vício oculto na execução da obra.
Como medida imediata, o tráfego passou a operar com apenas uma faixa no sentido Norte, enquanto os veículos pesados foram desviados para a Ponte das Laranjeiras, conhecida como Ponte da Cabeçuda. Paralelamente, foram instalados cabos adicionais de protensão para reforçar a estrutura, serviço concluído ainda em outubro de 2022, permitindo a retomada da circulação.
Após a intervenção, a concessionária deu continuidade ao reforço em outros pontos da ponte e iniciou uma análise estrutural completa. Também solicitou ao DNIT documentos técnicos da construção, incluindo diários de obra e registros das etapas de montagem, para aprofundar a investigação sobre as causas das falhas.
Nova ocorrência levou ao fechamento da ponte
Em reunião realizada em 6 de julho de 2026, representantes da ANTT e da concessionária, atualmente administrada pelo grupo Motiva, discutiram uma nova abertura entre aduelas, desta vez próxima ao mastro 36. Inicialmente, a proposta era restringir apenas o tráfego de cargas especiais acima de 10 toneladas por eixo enquanto os estudos prosseguiam.
Na mesma reunião, a concessionária informou enfrentar dificuldades para localizar toda a documentação técnica da construção da ponte. Segundo a ata, desde 2022 foram identificadas divergências entre projetos e registros disponíveis, levando a ANTT a buscar apoio do DNIT para recuperar o acervo técnico.
Poucos dias depois, em 9 de julho de 2026, um relatório técnico revelou o rompimento de cabos de protensão justamente na junta entre as aduelas A6 e A7, no apoio 35, o mesmo trecho reforçado quatro anos antes. A análise apontou que a capacidade estrutural do local já não atendia integralmente aos parâmetros de segurança previstos para a rodovia.
Com base na recomendação da consultoria especializada, a concessionária determinou a interdição total da Ponte Anita Garibaldi na noite de 9 de julho. O tráfego passou a ser desviado pela Ponte da Cabeçuda, enquanto equipes iniciaram obras emergenciais com previsão inicial de dez dias para liberar parcialmente a passagem de veículos.
Deputado cobra respostas
Após analisar a documentação, o deputado Mário Motta afirma que pretende buscar esclarecimentos sobre a condução do caso. Entre os questionamentos estão o intervalo de quase quatro anos entre a identificação do primeiro risco e a interdição total da ponte, além da falta de registros completos da fase de construção da estrutura.
Segundo o parlamentar, a população só tomou conhecimento da gravidade da situação quando a ponte já estava interditada. Ele informou que seu gabinete continuará reunindo informações para avaliar o encaminhamento do caso aos órgãos federais de controle e fiscalização.












