SaúdeFDA aprova novo medicamento para Parkinson nos EUA

FDA aprova novo medicamento para Parkinson nos EUA

A agência reguladora dos Estados Unidos, FDA, aprovou em 25 de setembro de 2026 o tavapadon, comercializado como Juvmo, para o tratamento de adultos com doença de Parkinson. Produzido pela AbbVie, o medicamento é administrado uma vez ao dia, sozinho ou associado à levodopa, e atua de forma diferente dos principais agonistas de dopamina já disponíveis.

O diferencial está no mecanismo de ação. Enquanto medicamentos como pramipexol e rotigotina atuam principalmente nos receptores D2 e D3, o tavapadon é um agonista seletivo dos receptores D1 e D5, envolvidos nos circuitos relacionados aos movimentos. A proposta é oferecer controle dos sintomas por uma via diferente, embora os estudos ainda não permitam afirmar que o novo tratamento seja mais seguro ou eficaz que as opções existentes.

O Parkinson ocorre progressivamente com a perda de neurônios responsáveis pela produção de dopamina, substância importante para o controle dos movimentos. Entre os sintomas estão lentidão, rigidez, tremores e alterações posturais, além de manifestações como problemas de sono, constipação, perda do olfato, depressão e dores.

Com a evolução da doença, pacientes que utilizam levodopa podem apresentar períodos em que o medicamento funciona adequadamente, conhecidos como “on”, alternados com momentos de retorno dos sintomas, chamados de “off”. O tavapadon foi estudado justamente nesse contexto.

Resultados dos estudos

Um estudo de fase 3 publicado na JAMA Neurology acompanhou 507 adultos com Parkinson que já utilizavam levodopa e apresentavam oscilações motoras. Após 26 semanas, o grupo que recebeu tavapadon teve aumento de 1,7 hora por dia no período de boa mobilidade, enquanto o grupo que recebeu placebo apresentou ganho de 0,6 hora. A diferença foi de 1,1 hora diária.

O tempo diário em que os sintomas estavam agravados também diminuiu. No grupo tratado com tavapadon, a redução foi de 1,88 hora, contra 0,93 hora entre os participantes que receberam placebo.

Apesar dos resultados, os pesquisadores destacam limitações. O estudo não comparou diretamente o tavapadon com outros agonistas de dopamina e teve duração relativamente curta para avaliar efeitos que podem aparecer após anos de tratamento.

Efeitos adversos exigem acompanhamento

Os efeitos colaterais também foram registrados nos testes. No estudo de fase 3, 71,7% dos participantes que receberam tavapadon relataram algum evento adverso, ante 55,1% no grupo placebo. Náusea, discinesia e tontura estiveram entre as reações mais frequentes.

Outro estudo com pacientes em estágio inicial da doença também avaliou o medicamento. Os resultados indicaram benefício no controle dos sintomas, mas os próprios dados não permitem concluir que o tavapadon seja capaz de retardar a progressão do Parkinson.

A aprovação da FDA não significa que o medicamento interrompa a degeneração dos neurônios. Assim como os tratamentos atualmente utilizados, o tavapadon atua no controle das manifestações da doença.

Nos Estados Unidos, a previsão é que o Juvmo comece a chegar às farmácias em outubro de 2026. Até o momento, não há previsão informada de registro do medicamento no Brasil. A aprovação americana consta na lista oficial de novos medicamentos da FDA.

Fonte: G1

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