A Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina (SES) reforçou, durante a campanha Junho Preto, o alerta para a prevenção e o diagnóstico precoce do melanoma, considerado o tipo mais agressivo de câncer de pele. A mobilização ocorre diante da estimativa de cerca de 1.220 novos casos da doença no estado até o final de 2026, especialmente em uma região que apresenta uma das maiores incidências do país.
De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), a Região Sul ocupa posição de destaque nos índices da doença. Entre as mulheres, o melanoma é o sétimo câncer mais frequente, enquanto entre os homens aparece na nona colocação. Em Florianópolis, a previsão é de aproximadamente 70 novos diagnósticos até o fim de 2026.
Apesar de representar uma parcela menor dos tumores de pele, o melanoma responde pela maior parte das mortes relacionadas à doença devido à sua elevada capacidade de se espalhar para outros órgãos. Especialistas ressaltam, porém, que a identificação precoce aumenta significativamente as possibilidades de tratamento bem-sucedido e cura.
Santa Catarina conta com uma rede de atendimento oncológico pelo Sistema Único de Saúde (SUS), formada por 21 unidades distribuídas em todas as regiões. Entre elas está o Centro de Pesquisas Oncológicas (Cepon), em Florianópolis, referência estadual no tratamento do câncer. A instituição registrou atendimento a 171 pacientes com diagnóstico de melanoma em 2025. Em 2026, até o momento, já foram contabilizados 66 atendimentos.
Segundo o diretor-geral do Cepon, Alvin Laemmel, a conscientização da população é fundamental para ampliar as chances de cura. Ele destaca que o melanoma é uma doença agressiva, mas que apresenta bons resultados quando descoberta nos estágios iniciais.
A dermatologista oncológica Elisangela Boeno explica que, além de fatores genéticos, a exposição excessiva à radiação ultravioleta está diretamente associada ao aumento do risco da doença. Por isso, a proteção solar deve fazer parte da rotina diária.
Entre as recomendações estão o uso de protetor solar com fator de proteção acima de 30, evitando a exposição ao sol entre 10h e 16h. Pessoas com histórico familiar de câncer de pele ou que já tiveram a doença devem optar por produtos com FPS superior a 50 e proteção contra raios UVA e UVB. O protetor deve ser reaplicado a cada duas horas durante exposições prolongadas ao sol.
Os especialistas também orientam a observação frequente da pele. Pintas e manchas que mudam de tamanho, formato ou cor, além de sintomas como coceira e sangramento, devem ser avaliados por um dermatologista. A detecção precoce continua sendo a principal aliada para aumentar as chances de cura e reduzir os impactos do melanoma.












