O mercado financeiro reduziu a previsão de inflação e revisou para baixo a expectativa de crescimento da economia brasileira em 2026. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (26) pelo Banco Central (BC), no Boletim Focus, elaborado a partir das projeções de mais de 100 instituições financeiras consultadas na semana anterior.
Inflação tem estimativa reduzida
A revisão da expectativa de inflação ocorre mesmo com as tensões no Oriente Médio, que mantêm pressão sobre os preços internacionais do petróleo e podem elevar os custos dos combustíveis no Brasil.
Desde 2025, o país adota o sistema de meta contínua de inflação, com objetivo central de 3% ao ano. O intervalo considerado dentro da meta vai de 1,50% a 4,50%.
A inflação influencia diretamente o poder de compra da população. Quando os preços aumentam mais rapidamente que os salários, as famílias conseguem adquirir menos produtos e serviços com a mesma renda.
Projeção de crescimento do PIB recua
Para 2026, a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) caiu de 1,83% para 1,80%. A revisão indica uma expectativa de expansão econômica mais moderada em comparação com 2025, quando o país registrou crescimento de 2,3%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O PIB representa o conjunto de bens e serviços produzidos no país e é utilizado para avaliar o desempenho da economia.
Para 2027, a previsão de crescimento também foi reduzida, passando de 1,32% para 1,31%.
Entre os fatores que influenciam o cenário econômico estão as medidas governamentais voltadas ao estímulo da atividade e à redução do endividamento das famílias. O aumento da demanda por produtos e serviços pode, entretanto, dificultar o controle da inflação. Nesse contexto, o Banco Central considera a desaceleração da economia um dos elementos que contribuem para conter as pressões sobre os preços.
Mercado mantém previsão de cortes nos juros
As projeções para a taxa básica de juros também foram atualizadas. A Selic está em 13,75% ao ano, após cinco reduções em 2026.
Para dezembro deste ano, os analistas mantiveram a expectativa de que a taxa chegue a 13,25% ao ano, o que representa a possibilidade de mais dois cortes até o fim do período.
Para os anos seguintes, as projeções indicam uma trajetória de queda. A estimativa para o encerramento de 2027 recuou de 12% para 11,75% ao ano. Já para o fim de 2028, a previsão passou de 10,50% para 10%.
A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para influenciar a inflação. Alterações na taxa afetam o custo do crédito, o consumo das famílias e as decisões de investimento das empresas.
Dólar tem previsão de queda
O Boletim Focus também apontou redução nas estimativas para a cotação do dólar. Para o fim de 2026, a projeção caiu de R$ 5,13 para R$ 5,05.
Para dezembro de 2027, a expectativa dos economistas recuou de R$ 5,22 para R$ 5,15 por dólar.
As projeções do relatório refletem as expectativas das instituições financeiras e podem mudar conforme a evolução do cenário econômico nacional e internacional.












