A participação das mulheres em cargos de direção e gerência da indústria de Santa Catarina cresceu 13,2% entre 2022 e 2025, segundo levantamento do Observatório FIESC apresentado em 12 de agosto, em Florianópolis. O assunto foi debatido durante o evento Elas Lideram, realizado pela Academia FIESC de Negócios, que abordou a qualificação e a preparação para funções de chefia como fatores para ampliar a presença feminina nas decisões do setor.
Conforme a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), o número de vínculos ocupados por mulheres em cargos de direção e gerência passou de 7.256 para 8.216 no período analisado.
Qualificação e reconhecimento profissional
A diretora de Governança Interna e Externa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Danusa Costa Lima, destacou que acreditar no próprio potencial, investir em formação continuada e se preparar para posições de chefia são caminhos para ampliar a presença feminina na liderança industrial.
Para a presidente do Grupo Lunelli, Viviane Lunelli, o desenvolvimento de mulheres deve começar nos primeiros níveis de gestão, formando profissionais aptas a assumir maiores responsabilidades.
“Embora as mulheres estejam muitas vezes mais preparadas do que imaginam, elas não se sentem preparadas. É um desafio constante trabalhar essas questões internamente para dar às mulheres essa condição de se reconhecerem como parte importante desse processo”, afirmou.
Avanço em áreas técnicas
Segundo o Observatório FIESC, a participação feminina aumentou 8% nas ocupações técnicas ligadas à ciência e à tecnologia e 13% nos cargos de engenharia entre 2022 e 2025. O avanço foi superior ao registrado entre os homens nas mesmas funções.
O presidente da FIESC, Gilberto Seleme, relacionou a mudança à maior diversidade nas profissões tecnológicas. “Na minha graduação, na década de 1980, tive apenas duas colegas. Esse avanço tem sido muito importante para uma maior diversidade nas profissões tecnológicas. O protagonismo feminino se destaca como um vetor indispensável para o desenvolvimento da indústria”, declarou.
Presença feminina no agronegócio
A participação das mulheres também tem avançado no agronegócio. De acordo com dados apresentados pela empresária rural e pecuarista Teresa Cristina Vendramini, elas comandam 31% das propriedades rurais brasileiras.
Ainda conforme os dados divulgados durante o evento, cerca de 11 milhões de mulheres atuam no agronegócio nacional, em áreas como produção rural, gestão, indústria, logística, pesquisa, comercialização e serviços. A presença feminina representa aproximadamente 33% da mão de obra do setor.
“Educação e capacitação têm tudo a ver com esta casa e com o que vocês estão fazendo. É nisso que eu acredito”, afirmou Teresa Vendramini.















