SaúdeNovas tecnologias transformam a recuperação pós-parto

Novas tecnologias transformam a recuperação pós-parto

A fisioterapeuta Giane Farias participou, nesta sexta-feira (10), de uma entrevista ao Jornal Amorim 2ª Edição para esclarecer as principais mudanças nas práticas de saúde para gestantes e puérperas. Com o avanço da fisioterapia pélvica e obstétrica, o antigo conceito de repouso absoluto por 40 dias deu lugar a intervenções tecnológicas precoces. Segundo a especialista, o objetivo é garantir que a mulher retorne às suas atividades cotidianas com segurança, prevenindo complicações de longo prazo, como prolapsos e disfunções musculares.

Tecnologia aplicada à saúde materna

A modernização dos cuidados pós-parto introduziu ferramentas que aceleram a cicatrização e reduzem o desconforto. Entre os destaques apresentados por Giane Farias estão a laserterapia e o taping. O laser, frequentemente associado apenas ao tratamento de fissuras mamárias, possui uma aplicação muito mais ampla.

“O laser é um aliado, uma ferramenta muito potente. Ele não é apenas um anti-inflamatório, mas um modulador e cicatrizante”, explicou a fisioterapeuta. Ela ressaltou que, no caso da amamentação, o laser deve ser conciliado com ajustes na técnica de pega do bebê. Além disso, a tecnologia é eficaz na recuperação de lacerações em partos normais e em cicatrizes de cesáreas, reduzindo o processo inflamatório intenso e o alívio da dor.

O uso estratégico do taping e órteses

Diferente do que muitos pensam, a aplicação de fitas adesivas na região abdominal, conhecida como taping, não possui finalidade puramente estética. A técnica trabalha com a mecanomodulação para controlar o edema (inchaço) e oferecer suporte muscular.

“O taping ajuda a dar mais sustentação para essa mãe, já que no pós-parto existe aquela sensação de que está tudo frouxo”, afirmou Giane. No entanto, ela alerta que a aplicação deve ser feita por profissionais, pois o uso inadequado pode prejudicar a paciente, especialmente em casos de cesárea. Como alternativa para quem não se adapta às fitas, a especialista recomenda calcinhas órteses com tecnologia de média compressão, que evitam o acúmulo de líquidos sem inibir a musculatura.

O perigo das cintas tradicionais

Um dos pontos mais enfáticos da entrevista foi o alerta contra o uso das cintas compressivas comuns. Segundo Giane, a alta pressão exercida por esses acessórios é prejudicial à fisiologia da mulher.

“Fisiologicamente, a cinta não tem benefício comprovado cientificamente. Ela deixa o músculo inibido, gera uma compressão excessiva e dá uma falsa sensação de drenagem. Quando a mulher retira a cinta, a flacidez pode parecer ainda maior, pois ela perde o controle da ação daquele músculo”, alertou a profissional.

Entendendo a diástase e a saúde pélvica

A diástase abdominal, caracterizada pelo afastamento dos músculos retos do abdômen, é uma preocupação frequente. Giane explicou que o afastamento ocorre em todas as gestantes, mas o foco deve ser a funcionalidade do músculo.

“A diástase só se corrige totalmente com cirurgia no que diz respeito à distância física, mas a manutenção e a função são devolvidas com exercício. Um músculo incompetente é o que causa aquela expansão abdominal indesejada”, esclareceu.

A especialista também abordou a incontinência urinária, reforçando que, embora comum, a perda de xixi nunca deve ser considerada normal. Ela recomenda uma reavaliação pélvica entre 30 e 45 dias após o parto, independentemente da via de nascimento, para identificar se o problema é decorrente de fraqueza ou tensão excessiva na musculatura do assoalho pélvico.

A janela de recuperação ideal

Para obter os melhores resultados, a fisioterapeuta indica que a reabilitação comece preferencialmente nos primeiros seis meses após o parto. “Dentro do primeiro ano o corpo responde super bem aos estímulos, mas a recuperação total depende da precocidade”, afirmou. O tratamento de reestruturação geralmente envolve uma sessão semanal, respeitando a rotina e a fase de cada mãe, para garantir uma transição segura e saudável para a vida ativa.

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