A queda de um balão aerostático em Praia Grande, no Sul de Santa Catarina, completa um ano neste domingo (21), ainda sem uma conclusão definitiva sobre eventuais responsabilidades. O acidente ocorreu em 21 de junho de 2025, envolveu 21 pessoas, incluindo o piloto, e deixou oito mortos e 13 sobreviventes. A primeira investigação da Polícia Civil foi concluída em outubro de 2025 sem indiciamento, mas o caso foi reaberto no mês seguinte e segue em andamento sob segredo de Justiça, conforme informou o G1, com base em manifestação do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).
Acidente mobilizou equipes de emergência
Segundo o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC), a ocorrência foi registrada na manhã de 21 de junho de 2025, em Praia Grande. As equipes foram acionadas às 8h18 para atender a queda do balão, que transportava turistas durante um voo na região dos cânions.
O atendimento contou com ambulâncias, caminhões de resgate e o helicóptero Arcanjo, além do apoio do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e da Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC). Os sobreviventes foram encaminhados a unidades hospitalares da região.
De acordo com o CBMSC, oito pessoas morreram no acidente. Quatro vítimas foram encontradas carbonizadas dentro do cesto do balão e outras quatro estavam nas proximidades do local da queda.
Fogo atingiu o cesto durante o voo
Conforme informações divulgadas pelo Corpo de Bombeiros na época, o balão apresentou incêndio no cesto durante o voo. O piloto tentou realizar um pouso de emergência e, durante a aproximação do solo, parte dos ocupantes conseguiu sair da estrutura.
Ainda segundo os bombeiros, após a saída de alguns passageiros, o balão voltou a ganhar altitude por estar mais leve, enquanto o fogo continuava no cesto. As vítimas que não conseguiram desembarcar permaneceram na estrutura até a queda.
O tenente-coronel Zevir Aníbal Cipriano Júnior, comandante interino da 1ª Região de Bombeiros Militar à época, informou que as equipes encontraram a área já isolada pela Polícia Militar. “Quando as equipes chegaram, a Polícia Militar já fazia o isolamento do local. Além dos sobreviventes, foram identificados oito óbitos, sendo quatro vítimas carbonizadas dentro do cesto do balão e quatro nas proximidades. O Corpo de Bombeiros Militar atuou no resgate e transporte dos feridos, além de apoiar os demais órgãos na gestão da cena”, afirmou.
Estado decretou luto após a tragédia
Após o acidente, o Governo de Santa Catarina informou que uma força-tarefa foi formada para atender a ocorrência e prestar apoio às vítimas e familiares. A mobilização envolveu Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Científica, Secretaria de Estado da Saúde e demais órgãos públicos.
Na ocasião, o governador Jorginho Mello acompanhava a situação mesmo estando em missão oficial na China. “Estamos todos consternados com essa tragédia. As equipes seguem prestando todo o apoio necessário às famílias”, declarou.
O governador em exercício, Francisco de Oliveira Neto, decretou luto oficial de três dias no Estado. “Desde o primeiro momento, as equipes estiveram mobilizadas, prestando atendimento e suporte às vítimas e às famílias”, afirmou.
Primeira investigação não apontou indiciados
A Polícia Civil de Santa Catarina informou, em outubro de 2025, que havia concluído o inquérito instaurado para apurar as circunstâncias do acidente. O trabalho foi conduzido pelo delegado Rafael de Chiara, da Delegacia de Polícia da Comarca de Santa Rosa do Sul, com apoio das delegacias de Praia Grande, Passo de Torres e São João do Sul.
Durante a apuração, mais de 20 pessoas foram ouvidas, entre sobreviventes, testemunhas, o piloto e representantes dos fabricantes do balão e do extintor que estava a bordo. A investigação também contou com laudos periciais, necrópsias, perícias de local, análises de engenharia, exames em fragmentos de óculos que poderiam conter gravações do voo, identificação por arcada dentária e laudos de substâncias nas vítimas.
Segundo a Polícia Civil, o relatório apontou que o incêndio começou quando uma chama atingiu a capa de proteção de um dos cilindros de propano. O material teria provocado uma queima rápida e intensa, com propagação do fogo em poucos instantes.
Mesmo com a identificação da origem provável das chamas, a Polícia Civil informou que não foram encontradas provas suficientes de conduta humana dolosa ou culposa que tivesse provocado o acidente. Por isso, a primeira conclusão do inquérito ocorreu sem indiciamento.
Maçarico entrou na análise pericial
Um dos pontos analisados pela investigação foi o acendedor auxiliar, conhecido como maçarico, usado para reacender a chama piloto do balão. Conforme a Polícia Civil, o equipamento poderia estar relacionado ao início do fogo.
No entanto, o objeto foi localizado dias depois do acidente e fora de guarda oficial. Segundo a investigação, essa condição rompeu a cadeia de custódia e impediu a comprovação de seu estado no momento do voo.
A Polícia Civil informou, na conclusão inicial, que não foi possível comprovar uso indevido do equipamento pelo piloto ou por qualquer outro ocupante.
Caso foi reaberto e segue sob segredo
Apesar da conclusão inicial sem indiciamento, a apuração não foi encerrada em definitivo. De acordo com o G1, o inquérito foi reaberto em novembro de 2025 e tramita sob segredo de Justiça.
Ainda conforme a reportagem, o Ministério Público de Santa Catarina informou que o caso envolve diferentes frentes de atuação e apuração. Na esfera criminal, o órgão acompanha as investigações para esclarecer as circunstâncias da queda e verificar eventual responsabilização.
O MPSC também informou que uma diligência solicitada pela Promotoria de Justiça ainda não havia sido concluída. Por esse motivo, o procedimento permanece em andamento.
A Polícia Civil, segundo o G1, informou que não comentaria o caso em razão do segredo de Justiça.
Famílias ainda aguardam respostas
Um ano após a queda, o caso segue sem responsabilização definida. A reabertura do inquérito mantém a investigação em andamento, enquanto familiares das vítimas aguardam respostas sobre as circunstâncias do acidente e possíveis responsabilidades.
O episódio marcou Praia Grande, município conhecido pelo turismo nos cânions e pelos voos de balão. A tragédia também ampliou o debate sobre segurança em atividades turísticas de aventura e sobre a necessidade de apurações técnicas para prevenir novos acidentes.
Com oito mortes, 13 sobreviventes e investigação ainda sem conclusão final, a queda do balão permanece como um dos acidentes mais graves relacionados ao balonismo turístico em Santa Catarina.












