Santa Catarina encerrou julho de 2026 com saldo negativo de 248 empregos formais, segundo dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). A retração ocorreu em meio à perda de vagas em segmentos da indústria, do comércio e dos serviços e, conforme avaliação da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), reflete um cenário de juros elevados e dificuldades enfrentadas por setores expostos às tarifas comerciais dos Estados Unidos.
Apesar do resultado negativo no mês, o mercado de trabalho catarinense permanece com saldo positivo em 2026. De janeiro a julho, foram criados 62.658 empregos com carteira assinada no estado, segundo levantamento divulgado pela FIESC.
Na comparação com julho de 2025, quando Santa Catarina havia gerado 3.185 postos formais, houve uma redução de 3.433 vagas no resultado mensal.
O presidente da FIESC, Gilberto Seleme, atribui parte da desaceleração às condições econômicas internas e externas.
“A desaceleração observada em julho reflete diretamente um ambiente econômico pressionado pela manutenção da taxa de juros em patamares elevados por um período prolongado e também os efeitos do segundo tarifaço norte-americano sobre alguns setores”, afirma Seleme.
Indústria registra perda de postos de trabalho
A indústria catarinense fechou 160 postos de trabalho em julho, conforme a FIESC. De acordo com a entidade, Santa Catarina apresentou o segundo pior desempenho do país no emprego industrial no período.
Entre os segmentos acompanhados pela Federação, o vestuário teve a maior retração, com a perda de 945 vagas. O setor têxtil registrou saldo negativo de 203 postos.
Atividades ligadas à madeira e aos móveis, apontadas pela FIESC entre as áreas atingidas pelas novas tarifas dos Estados Unidos, também tiveram redução no emprego. O segmento de madeira perdeu 197 vagas, enquanto o de móveis registrou 143 postos a menos.
A construção civil também apresentou resultado negativo no mês, com perda de 111 empregos, segundo a entidade.
Setor automotivo lidera contratações
Mesmo com a retração em diferentes atividades industriais, alguns segmentos ampliaram o número de trabalhadores em julho.
O setor de veículos, carrocerias e peças teve o melhor desempenho, com a criação de 947 empregos formais. Também registraram crescimento os segmentos de materiais elétricos, com 237 vagas, equipamentos de transporte, com 228, e metalurgia, com 163 novos postos.
Para o economista-chefe da FIESC, Pablo Bittencourt, as diferenças entre os resultados mostram que os setores respondem de maneiras distintas às condições econômicas.
“O comportamento divergente entre os setores industriais mostra como as taxas de juros e a demanda global afetam os segmentos de formas distintas. Enquanto cadeias como a automotiva e de materiais elétricos mantêm carteiras de projetos de médio prazo e demanda aquecida, setores intensivos em mão de obra, como o têxtil, vestuário e madeira, sentem de forma mais imediata a compressão do consumo das famílias e as dificuldades nas exportações”, destaca Bittencourt.
Agropecuária registra saldo positivo
Entre os setores destacados pela FIESC, a agropecuária apresentou resultado positivo em julho, com a abertura de 75 postos de trabalho.
O comércio, por outro lado, encerrou o período com saldo negativo de 74 empregos. Nos serviços, foram registrados 89 postos a menos.
FIESC prevê recuperação gradual das contratações
A expectativa da FIESC para os próximos meses é de uma recuperação gradual do ritmo de geração de empregos em Santa Catarina.
Segundo a entidade, o desempenho dependerá, entre outros fatores, de uma eventual flexibilização da política monetária e da manutenção da massa salarial no estado.
A avaliação é de que uma redução dos juros pode melhorar as condições de crédito, estimular o consumo interno e favorecer a retomada de investimentos, com reflexos sobre a contratação de trabalhadores nos segmentos atualmente mais pressionados.












