EconomiaSelic cai para 14% após quarta redução seguida do Copom

Selic cai para 14% após quarta redução seguida do Copom

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu, nesta quarta-feira (5), em Brasília, a Taxa Selic de 14,25% para 14% ao ano. O quarto corte consecutivo dos juros básicos foi aprovado diante da desaceleração recente da inflação e faz parte da estratégia de conduzir os preços para perto da meta estabelecida para o país.

A decisão, tomada durante reunião na sede do Banco Central, deu continuidade ao ciclo iniciado em março de 2026. Desde então, o Copom promoveu quatro reduções seguidas de 0,25 ponto percentual.

Segundo a Agência Brasil, a Selic havia permanecido em 15% ao ano entre junho de 2025 e março deste ano, o maior patamar em quase duas décadas.

Banco Central mantém cautela na redução dos juros

Conforme o Banco Central, o novo corte é compatível com a estratégia de convergência da inflação para perto da meta ao longo do período considerado pela política monetária.

“Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”, informou a instituição.

A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. Quando a taxa permanece elevada, empréstimos, financiamentos e compras parceladas tendem a ficar mais caros, reduzindo o consumo e a atividade econômica.

A diminuição dos juros, por outro lado, pode baratear gradualmente o crédito e estimular o consumo e os investimentos. Esse movimento, porém, precisa ser conduzido com cautela para evitar novas pressões sobre os preços.

Cenário internacional exige atenção

Na avaliação sobre o ambiente externo, o Banco Central voltou a destacar as incertezas relacionadas aos conflitos armados no Oriente Médio e à política monetária adotada por algumas economias avançadas.

“Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”, afirmou o órgão.

O conflito no Oriente Médio tem provocado oscilações nos preços internacionais de combustíveis, alimentos e outras matérias-primas. Esses movimentos podem dificultar a redução da inflação e influenciar as próximas decisões sobre a Selic.

Atividade econômica apresenta moderação

No cenário doméstico, o Banco Central apontou uma desaceleração gradual da atividade econômica, embora o nível de produção e consumo ainda seja considerado resistente.

Segundo a instituição, os indicadores apresentam resultados diferentes entre os setores, enquanto o mercado de trabalho continua aquecido. O Copom também observou uma desaceleração da inflação cheia e das medidas que buscam identificar a tendência dos preços.

IPCA-15 acumula 4,52% em 12 meses

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação oficial, ficou em 0,06% em julho. O resultado foi 0,35 ponto percentual inferior ao registrado em junho, quando o indicador atingiu 0,41%.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA-15 acumula alta de 3,51% em 2026 e de 4,52% nos últimos 12 meses. O resultado anual desacelerou em relação aos 4,80% registrados até junho, mas ainda está 0,02 ponto percentual acima do limite superior da meta.

A meta contínua de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com margem de tolerância de 1,50 ponto percentual para baixo ou para cima. Dessa forma, o intervalo considerado aceitável vai de 1,50% a 4,50%.

O indicador oficial da inflação brasileira é o IPCA, também calculado pelo IBGE. As próximas decisões do Copom dependerão da evolução da inflação, da atividade econômica, do mercado de trabalho e dos riscos relacionados ao cenário internacional.

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