SaúdeSeminário debate desafios da doença celíaca na Alesc

Seminário debate desafios da doença celíaca na Alesc

Seminário realizado na Assembleia Legislativa de Santa Catarina reuniu especialistas, médicos, pacientes e familiares na última semana, para discutir os desafios da doença celíaca, ampliar o conhecimento sobre o diagnóstico e reforçar a importância do tratamento adequado. O encontro, promovido com apoio da Comissão de Saúde e da Escola do Legislativo, buscou ampliar o debate sobre uma condição autoimune que afeta mais de 1% da população e ainda é pouco diagnosticada.

A doença celíaca é uma condição autoimune desencadeada pela ingestão de glúten, proteína presente no trigo, cevada e centeio. Em pessoas geneticamente predispostas, o consumo provoca uma reação do sistema imunológico que agride o intestino delgado, comprometendo a absorção de nutrientes e exigindo uma alimentação rigorosamente livre de glúten.

Durante o seminário, especialistas destacaram que o diagnóstico ainda representa um grande desafio. O gastroenterologista Nelson Silveira Júnior, que também é celíaco, explicou que a enfermidade pode permanecer sem identificação por mais de uma década e atingir pessoas de qualquer idade, inclusive idosos. Segundo ele, fatores como estresse, infecções e exposição a agentes químicos podem contribuir para o desenvolvimento da doença em indivíduos suscetíveis.

Os participantes também alertaram para a ampla variedade de sintomas. Além de diarreia crônica, perda de peso e alterações intestinais, a doença pode provocar anemia, dermatites, osteoporose precoce, infertilidade, enxaquecas, alterações neurológicas e até não apresentar sintomas aparentes, dificultando ainda mais a identificação dos casos.

A nutricionista Fabiana Torma Botelho ressaltou que o tratamento depende de uma dieta rigorosamente isenta de glúten e de acompanhamento profissional permanente. Ela lembrou que a contaminação cruzada pode ocorrer em restaurantes, hotéis, medicamentos, suplementos, cosméticos e até em alimentos naturalmente livres de glúten.

Os aspectos emocionais também foram abordados durante o encontro. A psicóloga Dinadéia Brandalise destacou a importância do suporte psicológico diante das mudanças impostas pela doença, enquanto representantes de associações de pacientes reforçaram a necessidade de conscientização, acompanhamento contínuo e políticas públicas que garantam inclusão e segurança alimentar, especialmente para crianças no ambiente escolar.

Especialistas reforçaram ainda que não existe cura nem medicamento capaz de eliminar a doença celíaca. O tratamento consiste exclusivamente na exclusão definitiva do glúten da alimentação, aliada ao acompanhamento médico e nutricional para evitar complicações e melhorar a qualidade de vida.

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