O Sistema Único de Saúde (SUS) passará a oferecer, a partir de junho, uma nova vacina contra a doença pneumocócica com maior abrangência de proteção. A mudança foi anunciada pelo Ministério da Saúde, que publicou nesta quarta-feira (27) um guia técnico preliminar orientando profissionais da saúde sobre a substituição da vacina pneumocócica conjugada 10-valente (VPC10) pela versão 20-valente (VPC20), também chamada de Pneumo 20.
O novo imunizante amplia a cobertura contra a bactéria Streptococcus pneumoniae, conhecida como pneumococo, responsável por doenças como pneumonia bacteriana, meningite, sinusite, otite e sepse. Segundo o ministério, os municípios poderão iniciar a aplicação da nova vacina assim que receberem as doses.
A ampliação da proteção ocorre em meio ao aumento recente de casos graves da doença, especialmente em crianças. Dados do Ministério da Saúde apontam que a média anual de meningite pneumocócica em crianças de até cinco anos passou de 164 casos entre 2013 e 2019 para 211,3 casos entre 2022 e 2024.
Especialistas explicam que a mudança acompanha a evolução epidemiológica da bactéria. A diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, Flávia Bravo, destaca que a vacina 10-valente reduziu significativamente os casos provocados pelos sorotipos cobertos, mas outros tipos passaram a circular com maior frequência. A nova formulação protege justamente contra sorotipos atualmente mais presentes em casos graves.
Desde a inclusão da vacina pneumocócica no calendário infantil, em 2010, o Brasil registrou queda de 60% nos casos de doença pneumocócica causada pelos sorotipos cobertos pela VPC10 em crianças de até dois anos. Os casos de meningite pneumocócica nessa faixa etária também diminuíram 65%.
O calendário vacinal prevê duas doses da vacina aos dois e quatro meses de idade, além de uma dose de reforço aos 12 meses. Crianças menores de cinco anos com esquema vacinal incompleto também deverão atualizar a carteira de vacinação.
Além das crianças, a vacina é indicada para grupos considerados de maior risco, como idosos, pacientes imunossuprimidos, pessoas com doenças crônicas, transplantados, pacientes oncológicos e pessoas vivendo com HIV/aids. A vacina só é contraindicada para pessoas com histórico de alergia grave aos componentes da fórmula ou reação severa em aplicações anteriores.













