A temporada de monitoramento das baleias-francas já começou no litoral do Rio Grande do Sul, com Torres novamente se consolidando como um dos principais locais de reprodução da espécie. A migração teve início de forma antecipada neste ano, com registros ainda em maio, e o acompanhamento dos animais segue até outubro para fortalecer pesquisas e ações de conservação.
As baleias-francas percorrem milhares de quilômetros todos os anos, deixando as águas frias próximas à convergência Antártica em direção ao litoral sul brasileiro. A região oferece águas mais calmas e protegidas, ideais para reprodução, nascimento dos filhotes e os primeiros meses de desenvolvimento.
Durante toda a temporada, pesquisadores do Projeto Farol das Baleias realizam monitoramentos com drones em diferentes pontos da costa. As imagens obtidas permitem avaliar as condições de saúde dos animais, identificar indivíduos, acompanhar o sucesso reprodutivo e compreender como as baleias utilizam os ambientes costeiros. Os dados também reforçam as estratégias de preservação de uma espécie que já sofreu forte impacto da caça comercial.
Em 2026, a equipe que atua em Torres já registrou 13 baleias, sendo dez adultos e três filhotes nascidos em 2025, que retornaram neste inverno acompanhados de suas mães. O primeiro filhote da temporada em Santa Catarina foi avistado em 17 de junho, na praia de Itapirubá, em Imbituba. No litoral gaúcho, a primeira mãe com filhote foi observada em 25 de junho, na praia de Itapeva, em Torres.
A fêmea identificada como “Figa” voltou a ser registrada pelos pesquisadores após aparições em 2021 e 2024. O retorno reforça um comportamento característico da espécie, que costuma utilizar as mesmas áreas reprodutivas ao longo da vida.
Outro importante recurso utilizado pelos pesquisadores para identificar cada animal são as calosidades presentes na cabeça das baleias-francas. Colonizadas por pequenos crustáceos conhecidos como piolhos-de-baleia, essas formações criam padrões únicos, semelhantes a uma impressão digital. Atualmente, o catálogo do Projeto Farol das Baleias reúne mais de 500 baleias adultas identificadas.
Criado em 2002, o Projeto Farol das Baleias integra o Grupo de Estudos de Mamíferos Aquáticos do Rio Grande do Sul (GEMARS) e utiliza tecnologia de monitoramento aéreo para ampliar o conhecimento científico sobre a espécie e apoiar medidas de conservação.
Os pesquisadores também incentivam a participação da população. Moradores e visitantes do litoral norte gaúcho podem comunicar avistamentos pelo perfil do Projeto Farol das Baleias no Instagram, contribuindo para a ciência cidadã e para o acompanhamento de uma das maiores migrações naturais do planeta.
A expectativa da equipe é de que o número de avistamentos aumente nas próximas semanas, com a chegada de mais fêmeas acompanhadas de seus filhotes. Para quem visita as praias gaúchas, a temporada representa uma oportunidade de observar um dos mamíferos marinhos mais emblemáticos do hemisfério sul, sempre mantendo distância e respeitando os animais em seu habitat natural.












