SaúdeTerapia com células-tronco combate complicações da medula

Terapia com células-tronco combate complicações da medula

Pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Paraná estão desenvolvendo uma terapia inédita no Brasil para combater a doença do enxerto contra o hospedeiro (DECH), uma das complicações mais graves enfrentadas por pacientes após o transplante de medula óssea. A nova fase dos testes clínicos começa em setembro, em três hospitais de referência do Paraná, com o objetivo de oferecer uma alternativa a pacientes que não respondem aos tratamentos convencionais.

A DECH ocorre quando células imunológicas presentes na medula doada passam a atacar o organismo do receptor. A condição pode surgir nos primeiros 100 dias após o transplante, na forma aguda, ou anos depois, na versão crônica da doença. Pele, fígado e sistema gastrointestinal estão entre as áreas mais afetadas, provocando sintomas como vermelhidão, náuseas, dores abdominais, rigidez corporal e até dificuldade respiratória em casos mais severos.

Para enfrentar o problema, os pesquisadores desenvolveram o MesenCell, terapia produzida com células-tronco mesenquimais retiradas da medula óssea de doadores. O material é processado em laboratório e armazenado até a aplicação nos pacientes. Segundo a coordenadora do projeto e responsável técnica do Centro de Tecnologia Celular da PUCPR, Carmen Kuniyoshi Rebelatto, o tratamento atua diretamente na resposta imunológica que desencadeia a doença.

De acordo com a pesquisadora, a terapia reduz a proliferação das células responsáveis pelo ataque ao organismo, ajudando a controlar a inflamação e melhorar os sintomas apresentados pelos pacientes.

O tratamento deve ser indicado principalmente para pessoas que não apresentam melhora com corticosteroides ou que não podem utilizar os medicamentos devido aos efeitos tóxicos. Atualmente, parte dos tratamentos recomendados para a DECH também não está disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo a Agência Brasil, o grupo já concluiu um estudo-piloto com 11 pacientes diagnosticados com DECH crônica. Os resultados mostraram remissão completa em metade dos casos avaliados. Além disso, houve melhora de 75% dos problemas gastrointestinais e recuperação total dos sintomas de pele, inclusive em pacientes com quadros graves de endurecimento da pele e perda de mobilidade.

A nova etapa da pesquisa envolverá 20 participantes e será realizada no Complexo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, no Hospital Erasto Gaertner e no Hospital Nossa Senhora das Graças.

O estudo recebe financiamento da Financiadora de Estudos e Projetos e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. A expectativa dos pesquisadores é firmar, futuramente, parceria com a indústria farmacêutica para ampliar a produção do medicamento.

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