SaúdeTransplantes no Brasil chegam a recorde histórico em 2025

Transplantes no Brasil chegam a recorde histórico em 2025

O Brasil realizou 31 mil transplantes em 2025, o maior número já registrado no país, segundo informações do Ministério da Saúde. O resultado representa avanço de 21% em relação a 2022, quando foram feitos 25,6 mil procedimentos, e reflete melhorias na logística, na organização do Sistema Nacional de Transplantes e na ampliação do acesso dos pacientes ao atendimento.

Logística fortalece distribuição de órgãos

A distribuição interestadual coordenada pela Central Nacional de Transplantes foi um dos fatores decisivos para o crescimento. Em 2025, a estratégia possibilitou 867 transplantes renais, 375 hepáticos, 100 cardíacos, 25 pulmonares e quatro de pâncreas.

O modelo contribui para atender pacientes conforme critérios clínicos de prioridade e reduzir perdas de órgãos, especialmente nos casos em que o tempo entre a retirada e o transplante precisa ser menor.

O Ministério da Saúde também atribui parte do avanço à atuação integrada com companhias aéreas e com a Força Aérea Brasileira (FAB). No ano passado, foram realizados 4.808 voos para transporte de órgãos e equipes de captação e transplante, aumento de 22% em comparação com 2022.

Equipes de captação aumentam no país

Outro ponto destacado é o crescimento no número de equipes de captação. Segundo o Ministério da Saúde, o total passou de 1.537, em 2022, para 1.600 em 2026. A ampliação ajuda na identificação de potenciais doadores e no encaminhamento adequado dos casos.

Apesar dos avanços, a recusa familiar ainda é um dos principais desafios para ampliar o número de transplantes. Atualmente, cerca de 45% das famílias não autorizam a doação de órgãos.

A decisão ocorre, em geral, em um momento de dor e impacto emocional. Por isso, o Ministério da Saúde reforça a importância de conversar previamente com familiares sobre o desejo de ser doador.

Capacitação busca qualificar atendimento

O Ministério da Saúde também tem investido na formação de profissionais por meio do Programa Nacional de Qualidade na Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (Prodot). A iniciativa prepara equipes de saúde para identificar potenciais doadores, conduzir entrevistas com acolhimento às famílias e qualificar o processo de doação.

Mais de mil profissionais já foram capacitados em estados como Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Tocantins, Distrito Federal, Mato Grosso, Goiás, Alagoas, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.

Córnea lidera número de procedimentos

O transplante de córnea foi o mais realizado no país em 2025, com 17.790 procedimentos. Na sequência, aparecem os transplantes de rim, com 6.697; medula óssea, com 3.993; fígado, com 2.573; e coração, com 427.

De acordo com o Ministério da Saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente toda a assistência necessária aos pacientes, incluindo exames preparatórios, cirurgia, acompanhamento e medicamentos pós-transplante.

O SUS financia cerca de 86% dos transplantes realizados no Brasil. Em 2025, os recursos federais destinados ao Sistema Nacional de Transplantes chegaram a R$ 1,5 bilhão. Em 2022, o investimento havia sido de R$ 1,1 bilhão, o que representa crescimento de 37%.

Como funciona a lista de espera

O acesso ao transplante de órgãos, tecidos ou medula óssea ocorre por meio do Sistema Nacional de Transplantes. Para entrar na lista de espera, o paciente precisa ser encaminhado a uma unidade de saúde habilitada, onde passa por avaliação médica especializada e realiza exames.

Quando a indicação para o transplante é confirmada, a equipe responsável faz a inscrição no sistema e registra as características necessárias para encontrar um doador compatível com o perfil clínico do paciente.

A lista de espera é dinâmica e varia conforme a condição de saúde dos pacientes e a disponibilidade de doadores compatíveis. Nos últimos anos, o sistema passou por modernização, com incorporação de novas tecnologias.

Entre as iniciativas está a Prova Cruzada Virtual, que permite avaliar previamente a compatibilidade entre doador e receptor. A ferramenta ajuda a reduzir o risco de rejeição e dá mais agilidade ao processo de transplante.

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