A Unesc intensificou o planejamento preventivo para enfrentar eventuais consequências de fenômenos climáticos associados ao El Niño. Nesta sexta-feira (28), coordenadores de cursos e gestores de diferentes setores participaram de uma reunião voltada à apresentação das providências já adotadas e à definição de protocolos que poderão ser acionados conforme a necessidade.
As medidas abrangem os campus de Criciúma e Araranguá e foram estruturadas sem pressupor a ocorrência dos cenários mais críticos. A estratégia da Universidade é estabelecer previamente formas de atuação que permitam respostas rápidas, seguras e coordenadas caso as condições meteorológicas provoquem impactos sobre as atividades institucionais.
O trabalho começou ainda em maio, quando a Instituição passou a acompanhar de maneira sistemática as informações divulgadas pelos órgãos de meteorologia. A partir desse monitoramento, foi constituído um grupo de trabalho envolvendo diferentes áreas da Unesc, responsável por discutir ações relacionadas à infraestrutura, prevenção, segurança, comunicação e manutenção das atividades acadêmicas.
Segundo a reitora em exercício da Unesc, Gisele Silveira Coelho Lopes, a intenção é preparar a comunidade universitária sem gerar alarmismo. Ela reforçou que a mobilização tem caráter preventivo e busca garantir uma comunicação objetiva, capaz de orientar decisões seguras diante de eventuais ocorrências.
A dimensão da comunidade acadêmica também influencia o planejamento. Atualmente, a Universidade atende aproximadamente 20,8 mil estudantes, incluindo acadêmicos que se deslocam diariamente de municípios da região e do Rio Grande do Sul. Cerca de 70 ônibus chegam aos campus todos os dias. A Instituição conta ainda com aproximadamente 1,7 mil colaboradores.
Diante desse cenário, a avaliação de riscos não considera somente o que pode acontecer dentro dos campus, mas também possíveis dificuldades de mobilidade e acesso às unidades.
Protocolos serão definidos conforme a gravidade de cada situação
A Unesc trabalha com diferentes possibilidades de ocorrência e níveis de impacto. Por isso, não haverá uma resposta única para todas as situações. Cada cenário deverá ser avaliado de acordo com suas características e consequências.
Durante o encontro, a pró-reitora de Ensino, Graziela Giacomazzo, apresentou as principais orientações voltadas à continuidade do calendário acadêmico. A prioridade, segundo ela, é preservar a carga horária dos cursos, garantir o desenvolvimento dos conteúdos programados e assegurar a conclusão regular do semestre.
Caso sejam necessárias adaptações, poderão ser adotadas alternativas pedagógicas. Professores e coordenações foram orientados a preparar previamente materiais, cronogramas e diferentes possibilidades para a realização das atividades.
Graziela destacou ainda que situações envolvendo estágios serão analisadas individualmente, considerando as particularidades de cada curso e local de atuação. Em circunstâncias excepcionais, os estudantes deverão procurar diretamente a coordenação do curso para receber orientação.
Comunicação institucional terá canais centralizados
A circulação de informações oficiais é outro ponto considerado estratégico pela Universidade. A orientação é para que as coordenações sejam a principal referência dos estudantes nos cursos, reduzindo o risco de mensagens contraditórias ou interpretações equivocadas.
A gestora da Agência de Comunicação da Unesc (Agecom), Francieli Oliveira, orientou que os cursos evitem produzir materiais independentes para redes sociais quando houver decisões institucionais de alcance geral.
Nessas situações, os conteúdos serão elaborados pelo setor de Marketing e divulgados pelos canais oficiais da Universidade. A centralização, segundo Francieli, evita que diferentes cursos comuniquem a mesma decisão de maneiras distintas, situação que poderia gerar dúvidas entre os acadêmicos.
Como parte da estrutura de informação, a Universidade criou uma página específica sobre o tema. O endereço unesc.net/elnino reúne conteúdos relacionados à prevenção, níveis de alerta, perguntas frequentes e procedimentos previstos para diferentes cenários.
Também foi disponibilizado o WhatsApp (48) 99212-7170, que funcionará 24 horas para o registro de ocorrências e acionamento das equipes responsáveis. O número não será utilizado como canal de consulta rotineira sobre previsão meteorológica.
O gestor de Marketing, Taylor Lompa, explicou que as informações disponibilizadas têm como referência dados produzidos pela Defesa Civil e por outros órgãos especializados em monitoramento. O conteúdo poderá ser atualizado sempre que novas demandas ou orientações forem identificadas.
Estrutura dos campus recebe ações preventivas
Parte das providências planejadas já foi executada. A Universidade realizou a limpeza e a desobstrução de toda a rede interna de microdrenagem, além da inspeção de calhas e telhados para facilitar o escoamento da água em períodos de chuva intensa.
Também estão sendo preparadas barreiras físicas que poderão ser instaladas em pontos eventualmente vulneráveis.
Outro trabalho realizado foi o levantamento das condições da vegetação existente no campus. A avaliação identificou árvores que necessitam de manejo devido à localização, à estrutura ou às condições das raízes. Os pedidos de autorização para as intervenções recomendadas tecnicamente já foram encaminhados ao Governo Municipal.
Segundo o pró-reitor de Administração e Finanças, José Otávio Feltrin, os responsáveis pelos diferentes setores também estão sendo orientados sobre como proteger equipamentos e quais contatos deverão ser acionados diante de uma situação emergencial.
A intenção é garantir que cada ambiente tenha responsáveis previamente identificados e equipes capazes de executar os procedimentos adequados sem perda de tempo.
A comunidade acadêmica, por sua vez, deve acompanhar os canais oficiais da Instituição, manter seus dados de contato atualizados e seguir as orientações divulgadas pela Universidade e pelos órgãos responsáveis pelo monitoramento climático.
Gisele ressaltou que a expectativa é de que medidas emergenciais não sejam necessárias, mas lembrou que fenômenos naturais estão fora do controle institucional. Por isso, segundo ela, a preparação antecipada é considerada indispensável.
Unesc e Prefeitura discutem ações no entorno do campus
O planejamento também envolve questões localizadas fora dos limites físicos da Universidade. Como parte dos fatores capazes de afetar o acesso ao campus depende da infraestrutura urbana, a Unesc iniciou articulações com a Prefeitura de Criciúma.
As principais demandas e o protocolo preventivo da Instituição foram apresentados ao prefeito Vagner Espíndola.
Entre os temas discutidos estão as condições da drenagem nas áreas próximas à Universidade, a limpeza de canais, intervenções de macrodrenagem no Bairro Pinheirinho e medidas relacionadas ao Rio Sangão.
A preocupação está relacionada principalmente à movimentação intensa de estudantes, trabalhadores e moradores na região.
Segundo Espíndola, Criciúma estruturou um planejamento envolvendo diferentes segmentos da sociedade, inclusive as comunidades. Para o prefeito, a preparação diante da possibilidade de eventos adversos não deve ficar restrita à administração municipal.
Ele afirmou que, quando avaliações científicas e diferentes métodos de análise indicam risco de impactos, a atuação antecipada é necessária para evitar danos ou reduzir suas consequências. O planejamento, acrescentou, deve ser entendido como uma iniciativa coletiva da cidade, envolvendo poder público, instituições e cidadãos.
A Unesc também colocou sua estrutura acadêmica e científica à disposição do Município. Conforme Gisele, a Universidade possui pesquisas, sistemas de monitoramento e equipes que podem contribuir com a avaliação dos cenários.
Entre os recursos existentes estão o Observatório de Desenvolvimento Socioeconômico e Inovação e atividades relacionadas ao acompanhamento da qualidade do ar, da água e do solo, além de estudos e monitoramentos sobre a vazão das águas.
A reitora em exercício também chamou atenção para a necessidade de avaliar as diferentes vias de acesso à Universidade. Como a Unesc recebe diariamente pessoas de Criciúma, de outros municípios do Sul catarinense e também do norte do Rio Grande do Sul, eventuais problemas em estradas ou acessos podem afetar diretamente a presença da comunidade acadêmica.
Por isso, mesmo com estratégias para assegurar a continuidade do calendário acadêmico, o planejamento considera situações nas quais estudantes e trabalhadores possam enfrentar dificuldades para chegar aos campus. A proposta é integrar Universidade e poder público na avaliação dos riscos e na definição das alternativas possíveis.












