O Campo Democrático, coalizão que reúne partidos de esquerda e centro-esquerda, anunciou oficialmente na manhã desta quinta-feira (16), em Florianópolis, o lançamento das pré-candidaturas de Gelson Merísio (PSB) ao governo de Santa Catarina e Angela Albino (PDT) como vice. A decisão, apresentada em evento com lideranças políticas, visa consolidar uma frente ampla para a disputa eleitoral de 2026, unindo as siglas PT, PCdoB, PV, PSB, PSOL, Rede e PDT sob o argumento de defesa da democracia e reposicionamento da imagem do estado no cenário nacional.
Trajetória dos candidatos ao governo e vice
Gelson Merísio, empresário natural de Xaxim e ex-presidente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), lidera a chapa majoritária. Com histórico de três mandatos como deputado estadual, Merísio destacou, segundo informações do Campo Democrático, a necessidade de restaurar a reputação catarinense. “A imagem que está sendo vendida não nos representa, não somos um estado de feminicídio e não somos nazistas. Precisamos corrigir esse erro. Esse debate precisa ser feito e nossa reputação precisa ser recuperada”, afirmou o pré-candidato durante a coletiva.
A composição é completada pela advogada e enfermeira Angela Albino. Ex-deputada federal e ex-secretária de Estado, Albino ressaltou que a aliança prioriza o diálogo e a representatividade feminina. “O traço comum dessa coligação é saber construir pontes, não muros. Vamos valorizar as diferenças para alcançar convergências. Sei que essa chapa empodera as mulheres, não em foto ou em número, mas na construção de um projeto”, declarou a pré-candidata a vice-governadora.
Disputa pelas vagas no Senado Federal
Para as duas cadeiras em disputa no Senado, o grupo oficializou os nomes de Décio Lima (PT) e Afrânio Boppré (PSOL). Lima, ex-prefeito de Blumenau e ex-presidente nacional do Sebrae, foi o primeiro candidato de esquerda a disputar um segundo turno para o governo estadual em 2022. Boppré, por sua vez, exerce seu quarto mandato como vereador em Florianópolis e já presidiu o PSOL nacionalmente.
Articulação política e suplência
Conforme os dados divulgados pela coalizão, Décio Lima enfatizou o caráter histórico da união partidária no estado. “Estamos fazendo uma construção sem igual em Santa Catarina. Somos um grupo com divergências, é claro, mas que tem em comum a luta pela democracia e o combate ao fascismo. Deixarmos de lado nossas diferenças é um gesto de grandeza”, pontuou Lima. No mesmo sentido, Afrânio Boppré defendeu que a unidade foi uma resposta estratégica às tensões democráticas atuais. “Quem construiu essa unidade usou inteligência para unir forças”, afirmou o vereador.
A chapa de Décio Lima terá como suplentes a farmacêutica Elaine Cristina Huber e a advogada Fernanda Klitzke. Já a composição de Boppré contará com a ex-deputada Luci Choinacki e a psicóloga Aparecida da Silva na suplência.
Simbolismo e resistência democrática
O Campo Democrático informou que a escolha dos registros oficiais da chapa carregou um forte componente simbólico. A foto dos integrantes foi realizada em Brasília, tendo como cenário o mural “As Mulatas”, de Di Cavalcanti. A obra, que sofreu danos durante os atos de 8 de janeiro de 2023, foi selecionada pelos pré-candidatos como um emblema de resistência e de compromisso com a estabilidade das instituições democráticas.










