O Ministério da Saúde lançou, nesta quarta-feira (29), na sede do projeto social Gol de Letra, no Rio de Janeiro, a campanha “Vacinar é muito Brasil” para incentivar a imunização de viajantes que irão à Copa do Mundo de 2026 e evitar que o fluxo turístico resulte na reintrodução do sarampo no país. A iniciativa foca na atualização da caderneta de vacinação antes do embarque para os Estados Unidos, Canadá e México, países que sediarão o evento e que, somados, concentram 67% dos registros da doença nas Américas nos últimos anos.
Risco epidemiológico nos países sede
De acordo com dados do Ministério da Saúde, o cenário epidemiológico na América do Norte demanda atenção. Até o dia 11 de abril de 2026, as Américas confirmaram cerca de 17 mil infecções por sarampo. O México lidera as estatísticas com mais de 10 mil casos, seguido pelos Estados Unidos, com 1.792, e pelo Canadá, com 907 registros. A Guatemala também enfrenta um surto da enfermidade.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que a estratégia prioriza quem deixará o Brasil rumo à competição. “Primeiro esse público que está indo para Copa, porque são os três países que têm explosão de casos de sarampo no continente americano”, afirmou o ministro durante o evento de lançamento.
A preocupação das autoridades sanitárias baseia-se no histórico recente do Brasil, que recuperou o status de país livre da doença em 2024. Apesar da certificação, o território nacional registrou três casos esporádicos importados este ano: uma bebê em São Paulo infectada na Bolívia, um homem guatemalteco também em São Paulo e uma jovem no Rio de Janeiro que atua no setor hoteleiro com alta circulação de estrangeiros.
Orientações para a imunização e segurança da vacina
Para conter riscos internos, o governo federal também direciona esforços para profissionais que lidam diretamente com o turismo. Conforme explicou Padilha, o Brasil realiza uma mobilização com trabalhadores de hotéis, restaurantes, táxis e transporte coletivo “para continuar com a nossa defesa firme”. O imunizante utilizado é a vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola.
A recomendação técnica para os viajantes é que a dose seja aplicada pelo menos 15 dias antes do embarque. Para bebês de 6 a 11 meses, o ministério instituiu a “dose zero”. Pessoas entre 12 meses e 29 anos devem receber duas doses com intervalo de um mês, enquanto adultos de 30 a 59 anos necessitam de apenas uma dose. Idosos, embora geralmente imunes por contato prévio com o vírus, podem ser vacinados se apresentarem boas condições de saúde e forem se deslocar para áreas de risco.
Prevenção contra o retrocesso sanitário
O sarampo é apontado pelas autoridades médicas como um dos vírus de maior transmissibilidade entre humanos, podendo evoluir para quadros graves de pneumonia e óbito. O ministro Alexandre Padilha reforçou a confiança na produção nacional da vacina pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e criticou movimentos contrários à imunização. “Nós estamos vencendo o jogo contra o negacionismo e derrotando a turma da antivacina”, declarou o chefe da pasta, citando sua confiança como médico e pai.
O histórico brasileiro serve de alerta para a manutenção das coberturas vacinais. O país obteve o certificado de área livre da doença em 2016, mas perdeu o título em 2019 após surtos iniciados por casos importados. Segundo o Ministério da Saúde, a perda da certificação na época foi agravada pela redução de investimentos e pela queda na adesão vacinal, situação que só foi revertida em 2023. Atualmente, a orientação é que qualquer cidadão entre 1 e 59 anos sem comprovante de vacinação procure uma unidade de saúde.











