GeralUnesc debate inovação e transferência tecnológica no CRIO

Unesc debate inovação e transferência tecnológica no CRIO

A consolidação da inovação como estratégia institucional da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc) pautou um seminário promovido nesta quarta-feira (27), no Centro de Inovação Criciúma (CRIO), em Criciúma. O encontro reuniu gestores, pesquisadores e especialistas para discutir propriedade intelectual, transferência de tecnologia e aproximação entre ciência, empreendedorismo e desenvolvimento regional, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc).

A iniciativa foi organizada pelo Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT), vinculado à Agência de Desenvolvimento, Inovação e Transferência de Tecnologia (Aditt) da Universidade. Conforme a Instituição, o objetivo foi ampliar o debate sobre pesquisa aplicada, governança acadêmica e conexão entre conhecimento científico e impacto social.

Cultura institucional

A reitora em exercício da Unesc, Gisele Silveira Coelho Lopes, destacou que a Universidade já desenvolvia iniciativas ligadas à inovação antes mesmo da consolidação do conceito de forma institucional. Entre os exemplos citados por ela estão a criação do Parque Científico e Tecnológico (Iparque), da Aditt e o fortalecimento dos programas de pós-graduação conectados às demandas regionais.

Segundo Gisele, o debate sobre inovação ganhou força inicialmente em áreas ligadas à Administração, mas passou a envolver diferentes segmentos acadêmicos ao longo dos anos. “Falar de inovação e empreendedorismo não é sobre modismo ou palestra motivacional. Estamos falando de processos, metodologias, produtos, serviços e transformação social”, afirmou.

A dirigente também ressaltou que a inovação ultrapassa áreas industriais e tecnológicas, estando presente em metodologias de ensino, práticas extensionistas e processos de gestão. “Empreender é comportamento. Quando entendemos isso, percebemos que inovação atravessa todas as áreas do conhecimento”, acrescentou.

Ainda conforme a reitora em exercício, a criação da Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação, Inovação e Extensão (Propiex) fortaleceu a governança institucional da pesquisa aplicada e ampliou a conexão da Universidade com empresas, setor público e comunidade. “Não adianta produzir ciência e deixá-la na prateleira. Precisamos conectar conhecimento, pesquisa e desenvolvimento regional”, declarou.

Estruturação do NIT

A gerente de Inovação da Unesc, Elenice Padoin Juliani Engel, explicou que o seminário integra um edital da Fapesc voltado à reestruturação do NIT e ao fortalecimento institucional da pesquisa aplicada e da transferência tecnológica.

Segundo ela, a Universidade desenvolve diariamente soluções e metodologias que podem se transformar em tecnologias sociais, produtos e serviços replicáveis em diferentes contextos. “Quando tratamos de inovação, falamos de oportunidades e de algo que se produz todos os dias dentro da academia, no Ensino, na Pesquisa e na Extensão”, afirmou.

Elenice também destacou que muitas iniciativas ainda não são percebidas institucionalmente como ativos com potencial de transferência tecnológica. “A Unesc produz conhecimento o tempo todo. O desafio é compreender que isso também pode ser transferido para a sociedade e para o mercado”, observou.

Transferência tecnológica

Entre as principais frentes de atuação do NIT estão a gestão da propriedade intelectual, o apoio ao registro de patentes, a proteção de ativos tecnológicos e a estruturação de estratégias de transferência de tecnologia.

O coordenador do NIT, Paulo Priante, afirmou que a Universidade iniciou um movimento de aproximação com pesquisadores para identificar projetos com potencial de inovação e compreender desafios enfrentados pelos profissionais. “Fomos ao encontro dos pesquisadores para entender desafios, receios e também identificar pesquisas com potencial de inovação e transferência tecnológica”, explicou.

Priante alertou ainda para situações em que projetos são desenvolvidos diretamente com empresas sem mediação institucional, cenário que pode resultar na perda de ativos tecnológicos e oportunidades estratégicas para a Universidade.

Conforme o coordenador, uma das ações em desenvolvimento é a criação de uma vitrine tecnológica vinculada ao site da Agência de Inovação. O espaço reunirá grupos de pesquisa, linhas de investigação e ativos tecnológicos disponíveis para futuras conexões com o mercado. “A transferência de tecnologia é fundamental para que a pesquisa gere impacto concreto e também novas possibilidades de sustentabilidade institucional”, afirmou.

O seminário também contou com a participação dos especialistas Ronaldo Viana Barbosa, professor do Programa de Pós-Graduação em Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia para Inovação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); Felipe Ávila da Silva, pesquisador ligado a projetos de inovação universitária; Reinaldo Viana Barbosa, integrante do Núcleo de Inovação Tecnológica da UFSC; e Thaielly da Silva José, pesquisadora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) com atuação em políticas públicas de ciência, tecnologia e inovação.

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