A vacinação durante a gestação tem contribuído para reduzir os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) entre bebês, especialmente nos primeiros seis meses de vida. A estratégia, disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS), inclui imunizantes contra o vírus sincicial respiratório (VSR), Covid-19, gripe e coqueluche, oferecendo proteção tanto para as mães quanto para os recém-nascidos.
Dados do Ministério da Saúde mostram que, em 2025, crianças de até dois anos responderam por 82% dos registros de SRAG, com mais de 35 mil casos. Desse total, quase 24 mil ocorreram em bebês com menos de seis meses, faixa etária considerada a mais vulnerável às complicações respiratórias.
Segundo a infectopediatra Flávia Jacqueline Almeida, do Hospital Infantil Sabará, o VSR representa um dos principais riscos para os recém-nascidos. Como o sistema respiratório dos bebês ainda está em desenvolvimento, a infecção pode provocar dificuldade respiratória intensa e levar à necessidade de internação.
A preceptora Mariá Lanzotti, grávida de 33 semanas, recebeu a vacina contra o VSR na reta final da gestação para proteger a filha Estela. Ela relata que a experiência com a internação da primeira filha por uma doença respiratória reforçou a importância da prevenção durante a gravidez.
A vacina contra o VSR foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2023, chegou inicialmente à rede privada e passou a integrar o Calendário Nacional de Vacinação da Gestante no SUS em novembro de 2025. A aplicação é indicada a partir das 28 semanas de gestação, permitindo que os anticorpos produzidos pela mãe sejam transferidos ao bebê pela placenta e garantam proteção nos primeiros seis meses de vida.
Além da vacina contra o VSR, o calendário vacinal das gestantes inclui a dTpa, que protege contra difteria, tétano e coqueluche. A imunização deve ser realizada em todas as gestações a partir da 20ª semana e alcançou cobertura de 85,4% em 2025.
As vacinas contra Covid-19 e Influenza também fazem parte da estratégia de proteção. Ambas podem ser administradas em qualquer fase da gravidez e ajudam a reduzir o risco de complicações respiratórias para mães e bebês.
De acordo com a professora da Faculdade de Medicina da USP, Rafaela Costa, as gestantes apresentam maior vulnerabilidade ao agravamento de doenças respiratórias. Estudos do Observatório Obstétrico Brasileiro indicam que a vacinação contra a Covid-19 reduziu em 46% o risco de internação em UTI e em 80% a mortalidade entre gestantes, reforçando a importância da imunização durante o pré-natal.
Fonte: G1












