A eliminação da Seleção Brasileira da Copa do Mundo de 2026, após a derrota por 2 a 1 para a Noruega, provocou uma onda de tristeza entre torcedores em todo o país nesta segunda-feira. Segundo psicólogos, o sentimento, conhecido como luto esportivo, é uma reação emocional comum diante da perda de uma expectativa coletiva. Especialistas explicam que o impacto pode ser intensificado pelas redes sociais e orientam como lidar com esse momento.
A campanha do Brasil terminou com a pior colocação da equipe em um Mundial desde a Copa de 1990, encerrando o sonho do hexacampeonato e deixando muitos torcedores com uma sensação de vazio.
De acordo com o psicólogo esportivo João Ricardo Cozac, presidente da Associação Paulista de Psicologia do Esporte, o torcedor não perde apenas uma partida, mas também a expectativa construída durante semanas ou meses de competição.
Esse processo pode gerar emoções como tristeza, frustração, raiva, decepção e incredulidade. Para algumas pessoas, o futebol representa muito mais do que entretenimento, estando ligado à identidade, às tradições familiares e ao sentimento de pertencimento. Quanto maior esse vínculo afetivo, maior tende a ser o impacto da eliminação.
Os especialistas ressaltam que esse sofrimento não deve ser considerado exagerado. Estudos apontam que perdas simbólicas também podem ativar mecanismos cerebrais relacionados ao sofrimento emocional, embora não sejam comparáveis à perda de um familiar.
Outro fator que contribui para prolongar a tristeza é o ambiente digital. Segundo Cozac, os algoritmos das redes sociais mantêm os usuários expostos repetidamente a lances da partida, memes, críticas e debates, fazendo com que a derrota seja revivida diversas vezes ao longo do dia.
Para enfrentar esse período, a recomendação é aceitar que a tristeza faz parte da experiência de torcer, evitar consumir continuamente conteúdos sobre a derrota, reduzir o tempo nas redes sociais e retomar a rotina com atividades de trabalho, lazer e convivência familiar. Na maioria dos casos, a intensidade dessas emoções tende a diminuir naturalmente com o passar dos dias.
A psicóloga e psicanalista Roseli Moreno também destaca a importância de acolher os sentimentos das crianças após a eliminação. Segundo ela, pais e responsáveis devem evitar minimizar a tristeza e aproveitar o momento para ensinar que os ídolos não são perfeitos e que derrotas fazem parte da vida. A orientação é equilibrar o contato com conteúdos sobre o jogo nas redes sociais e incentivar outras atividades, fortalecendo a resiliência e a tolerância à frustração.
Fonte: G1












