O governo federal anunciou nesta quarta-feira um novo pacote de apoio financeiro voltado às empresas brasileiras impactadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos e por conflitos internacionais. A medida, chamada de Plano Brasil Soberano 3, disponibiliza R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito com juros subsidiados para preservar a competitividade das exportações e fortalecer setores estratégicos da economia.
O anúncio ocorreu no mesmo dia em que entrou em vigor a tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros destinados ao mercado norte-americano. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), cerca de 15% das exportações brasileiras para os EUA, o equivalente a US$ 5,8 bilhões, devem ser afetadas pela medida.
Para viabilizar a nova etapa do programa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma medida provisória que amplia o uso de recursos do Tesouro Nacional em conjunto com verbas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Além disso, foi sancionado o Projeto de Lei de Conversão nº 7, que amplia o alcance do plano para incluir novos setores considerados estratégicos ao comércio exterior.
Dos R$ 18,5 bilhões anunciados, R$ 13,5 bilhões serão provenientes do Tesouro Nacional e R$ 5 bilhões do BNDES. Os recursos poderão ser utilizados para capital de giro, compra de máquinas e equipamentos, investimentos produtivos, inovação tecnológica, adaptação de processos e expansão para novos mercados.
De acordo com a Agência Brasil, as condições de financiamento variam conforme a finalidade do investimento. As taxas podem chegar a 3% ao ano para projetos ligados a minerais críticos e alcançar 9,80% ao ano em operações de capital de giro destinadas a grandes empresas.
O programa amplia o público atendido e passa a beneficiar, além das empresas atingidas pelas tarifas norte-americanas, exportadores prejudicados por conflitos internacionais, especialmente aqueles com operações no Golfo Pérsico. Entre os segmentos contemplados estão agricultura, pecuária, pesca, florestas plantadas, mineração, fertilizantes, indústria química, farmacêutica, têxtil, automotiva, além dos setores de máquinas, equipamentos e materiais elétricos e eletrônicos.
A legislação também permite que os recursos sejam destinados à adequação de empresas às exigências do mercado internacional, incluindo normas sanitárias, ambientais, de rastreabilidade e conformidade.
Durante a apresentação do programa, o vice-presidente Geraldo Alckmin destacou que a iniciativa também oferecerá seguro garantia para pequenas empresas, ampliando o suporte além das linhas de crédito.
O plano de aplicação dos recursos será elaborado pelo BNDES e posteriormente analisado por um conselho interministerial, que definirá as prioridades de financiamento conforme os impactos enfrentados por cada setor.
De acordo com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, os segmentos mais afetados pelas tarifas dos Estados Unidos incluem madeira, móveis, produtos cerâmicos, máquinas e equipamentos, calçados e açúcar. O governo também pretende atender empresas que possam ser impactadas por novas medidas comerciais em estudo pelo governo norte-americano.
Apesar do anúncio do pacote financeiro, o governo informou que continuará buscando uma solução diplomática para o impasse comercial com os Estados Unidos. Segundo integrantes da equipe econômica, as negociações com representantes norte-americanos foram mantidas até os dias que antecederam a entrada em vigor das novas tarifas, mas não houve avanço nas tratativas.
Criado em 2025, o Plano Brasil Soberano chega à terceira etapa. As duas fases anteriores destinaram R$ 30 bilhões, em agosto de 2025, e R$ 21 bilhões, em março de 2026. Com o novo aporte, o governo amplia os mecanismos de apoio às empresas exportadoras enquanto busca minimizar os efeitos das barreiras comerciais sobre a economia brasileira.













