A Unesc promoveu, na quinta-feira (20), em Criciúma, uma roda de conversa sobre prevenção e enfrentamento à violência contra as mulheres, reunindo estudantes, autoridades e profissionais das áreas jurídica e de saúde mental no Auditório Ruy Hülse. A atividade, intitulada “Tecendo Redes, Rompendo Silêncios”, integrou a Jornada Acadêmica de Psicologia e buscou fortalecer a informação, o acolhimento e a articulação da rede de proteção.
Organizado pelo Programa Unesc com Elas, em parceria com o Estilo Unesc de Bem Viver e Conviver, o Programa Acolher e a Diretoria de Extensão, Cultura e Ações Comunitárias, o encontro contou com a mediação da equipe multidisciplinar formada pelo psicólogo Zonei Vargas de Cordova, pelo advogado Ismael de Cordova e pelas professoras Rosicleia Lopes Kaczmarek e Tamara Bellettini Munari.
Durante a abertura, a reitora em exercício da Unesc, Gisele Coelho Lopes, destacou a trajetória do Programa Unesc com Elas, lançado em maio deste ano após um ano de construção por um grupo de trabalho multidisciplinar. A iniciativa oferece atendimento em saúde mental, saúde física e assistência jurídica para mulheres em situação de violência, além de integrar uma rede que envolve Ministério Público, OAB, Delegacia da Mulher, Secretaria de Assistência Social e CAPS.
Segundo Gisele, a mobilização da universidade é necessária diante da dimensão da violência contra as mulheres no país. Ela também ressaltou que a subnotificação dos casos amplia a preocupação e reforçou a importância de evitar a naturalização da violência.
Unesc amplia compromisso institucional
Durante o evento, a reitora em exercício também anunciou que a universidade assinou, em 1º de julho, o Termo Nacional pelo Enfrentamento à Violência de Gênero no Ambiente Universitário. O documento amplia uma parceria já estabelecida com o Ministério Público por meio de um pacto firmado em 2025.
O promotor de Justiça Samuel Dal Farra Naspolini ressaltou os resultados da cooperação entre o Ministério Público e a Unesc. A parceria inclui, desde 2023, um grupo reflexivo voltado a mulheres vítimas de violência doméstica e atendimentos individuais realizados nas Clínicas Integradas para vítimas encaminhadas pelo núcleo de apoio.
Naspolini também abordou os avanços relacionados à Lei Maria da Penha, que completa 20 anos em agosto. Entre eles, destacou a criação, em 2018, do crime específico de descumprimento de medidas protetivas, medida que, segundo ele, aumentou a efetividade da proteção às vítimas.
O promotor ainda citou a atuação da Rede Catarina e afirmou que as medidas protetivas têm papel concreto na preservação da vida das mulheres, embora ainda existam desafios para garantir que as vítimas se sintam plenamente seguras.
Acolhimento e autonomia
A professora e psicóloga Laís Steiner Massari destacou a importância de construir, junto à vítima, estratégias para diferentes situações de risco. Para ela, o atendimento precisa ultrapassar a simples escuta e oferecer caminhos para que a mulher reconheça sua capacidade de decisão e retome a própria autonomia.
A desembargadora Salete Silva Sommariva, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, também participou do debate e chamou atenção para a gravidade da violência contra as mulheres. Ela lembrou que, no Brasil, uma mulher é vítima de feminicídio a cada duas horas.
Ao relembrar sua atuação na Coordenadoria da Violência Doméstica do TJSC, iniciada em 2010, Salete destacou as dificuldades enfrentadas inicialmente para ampliar a compreensão do Judiciário sobre a violência doméstica. Para ela, houve mudanças importantes desde então, mas o fortalecimento da rede intersetorial de proteção continua sendo necessário.
Atendimento às mulheres
O Programa Unesc com Elas oferece atendimento presencial nas Clínicas Integradas e também pelo WhatsApp, no número (48) 3431-4598, ou pelo e-mail [email protected].
O serviço disponibiliza escuta qualificada, orientação jurídica, apoio psicológico e assistência social, com atendimento discreto para mulheres que estejam enfrentando situações de violência.












