As mudanças nos hábitos alimentares da população chinesa e a busca do país por maior autossuficiência na produção de alimentos podem alterar o cenário das exportações de Santa Catarina. O alerta foi apresentado pelo Observatório FIESC durante reunião do Conselho de Alimentos e Bebidas da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), realizada na terça-feira (25), com destaque para os impactos sobre setores como as carnes suína e de frango.
Segundo a análise, a urbanização, a industrialização e o aumento da renda estão entre os principais fatores que vêm modificando o perfil de consumo na China. Ao mesmo tempo, o país trabalha para ampliar a produção doméstica e incorporar novas tecnologias à indústria alimentícia.
A pesquisadora Tamires Costa, do Observatório FIESC, destacou que os planos chineses estabelecem, entre outras metas, o aumento da produção de grãos de 650 milhões para 725 milhões de toneladas até 2030. Apesar dos avanços, algumas cadeias ainda dependem do mercado externo, como a soja.
No caso das carnes, porém, a dependência é menor. A China apresenta índices de autossuficiência de 98% para a carne de frango e de 97% para a carne suína, dois dos principais produtos exportados por Santa Catarina ao país asiático.
Exportações catarinenses
Os dados analisados pelo Observatório FIESC mostram uma diferença entre o desempenho brasileiro e o catarinense. Enquanto as exportações brasileiras dos produtos avaliados cresceram 47% ao longo da série histórica, as vendas de Santa Catarina registraram queda de 34%.
A carne suína demonstra como as mudanças na produção chinesa podem afetar diretamente os exportadores catarinenses. Durante o período mais crítico da peste suína africana, a autossuficiência chinesa caiu de 97% para 89% em 2020. Naquele cenário, Santa Catarina ampliou suas vendas e alcançou US$ 758 milhões em exportações de carne suína para a China em 2021.
Com a retomada da produção chinesa, entretanto, o Estado perdeu aproximadamente US$ 490 milhões em exportações do produto entre 2021 e 2024.
Para a presidente do Conselho de Alimentos e Bebidas da FIESC, Rosimeri Francener, acompanhar a transformação dos padrões globais de produção e consumo é essencial para que a indústria catarinense consiga se antecipar às mudanças e preservar sua participação no mercado internacional.
Diversificação pode ampliar oportunidades
Diante desse cenário, o estudo aponta que Santa Catarina pode reduzir sua dependência das carnes e ampliar a variedade de produtos destinados à China. Entre os itens catarinenses com potencial de expansão estão pescados, crustáceos, preparações alimentícias, miudezas comestíveis, farinha de carne e alimentos para animais.
O leite em pó também aparece entre os produtos que podem conquistar maior espaço no mercado chinês.
Outra possibilidade está na oferta de produtos com maior valor agregado. A capacidade da indústria catarinense de transformar matérias-primas em alimentos processados pode ser aproveitada diante da evolução do perfil de consumo da população chinesa.
Além disso, a condição sanitária diferenciada de Santa Catarina é apontada como um fator de competitividade para ampliar o acesso ao mercado asiático.
Para o setor industrial, o principal desafio é acompanhar a política chinesa de autossuficiência e, ao mesmo tempo, diminuir a concentração das exportações em poucos produtos e destinos. A diversificação da pauta, a agregação de valor e a busca por novos mercados aparecem como estratégias para reduzir os impactos provocados pelas oscilações da demanda chinesa.












