A Unesc realizou, na noite de sexta-feira (28), em Criciúma, a primeira formatura da especialização multiprofissional voltada ao Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). A cerimônia, realizada no Bloco P da Universidade, reuniu profissionais de diferentes áreas que concluíram uma formação direcionada à compreensão do autismo, à inclusão e à qualificação do atendimento oferecido às pessoas autistas e às suas famílias.
A especialização proporcionou aos estudantes conhecimentos e práticas relacionados às diferentes características, necessidades e contextos das pessoas com TEA. Segundo a Unesc, a proposta é contribuir para uma atuação multidisciplinar, ética, humanizada e comprometida com a inclusão e a qualidade de vida.
Formação amplia qualificação de profissionais
Para Júlio César Zilli, da Unesc, a qualificação profissional é um dos caminhos para ampliar a compreensão sobre o autismo e aprimorar o atendimento prestado às pessoas autistas e às famílias.
Um dos coordenadores da especialização, Zolnei Córdova, destacou que a formação oferece qualificação a profissionais que já trabalham ou pretendem atuar em áreas relacionadas ao desenvolvimento, educação, saúde, inclusão e acompanhamento de pessoas autistas.
De acordo com o professor, o conteúdo abordado ao longo da pós-graduação buscou oferecer uma compreensão ampla do TEA, levando em consideração as características e necessidades individuais e os diferentes contextos vivenciados pelas pessoas autistas.
“A proposta da formação também valoriza uma atuação profissional mais humanizada, ética e comprometida com a inclusão e a promoção da qualidade de vida. Além de celebrar a conclusão de uma etapa acadêmica para os nossos formandos, a formatura representa o início de novos caminhos profissionais e a possibilidade de colocar em prática os conhecimentos construídos ao longo da especialização por profissionais tão qualificados”, complementou Córdova.
Conhecimento que se transforma em cuidado
Representando a turma, a formanda Francielen Reis afirmou que a conclusão da especialização amplia o olhar dos profissionais sobre o autismo e reforça a responsabilidade de transformar o conhecimento acadêmico em práticas mais humanas, acolhedoras e inclusivas.
“Estamos aqui para comemorar a conclusão de uma formação que nos trouxe novos olhares, novas perspectivas e, principalmente, uma compreensão mais humana sobre o Transtorno do Espectro Autista. Ao longo dessa caminhada, aprendemos que cada pessoa é única. Que não existe uma única forma de aprender, de se comunicar, de sentir ou de enxergar o mundo”, afirmou.
Pessoa deve ser compreendida além do diagnóstico
Francielen também ressaltou que compreender o autismo exige que os profissionais observem a pessoa para além do diagnóstico e considerem sua história, suas relações familiares, potencialidades, desafios e possibilidades.
“Por trás de cada paciente, existe uma pessoa com uma história, uma família, sonhos, potencialidades, desafios e muitas possibilidades. E aprendemos também que trabalhar com pessoas autistas exige conhecimento, mas exige, acima de tudo, acolhimento, respeito, paciência, sensibilidade e compromisso”, ressaltou.
Segundo a formanda, uma das principais lições proporcionadas pela especialização foi a necessidade de considerar as particularidades de cada indivíduo durante o acompanhamento profissional.
“Não basta conhecer o autismo. É preciso conhecer a pessoa que está diante de nós. Precisamos compreender que comunicação não acontece apenas pela fala, que comportamento também é uma forma de comunicação e que pequenas conquistas podem representar grandes vitórias para uma pessoa e sua família”, complementou.
Formatura reforça compromisso com aprendizado contínuo
Ao concluir a especialização, Francielen destacou que a certificação também representa um compromisso dos profissionais com a atualização permanente e com práticas sustentadas pelo conhecimento científico.
“Hoje recebemos uma certificação, mas, junto com ela, assumimos uma responsabilidade: a de continuar estudando, aprendendo e buscando novos conhecimentos. De questionar práticas que já não fazem sentido, de valorizar aquilo que a ciência nos mostra e, principalmente, de transformar o conhecimento em atitudes que façam diferença na vida das pessoas que estão sob nossos cuidados”, destacou.
Com a primeira turma formada, a especialização amplia o número de profissionais capacitados para atuar de forma multiprofissional em áreas ligadas ao TEA. Conforme a Unesc, a proposta da formação é articular conhecimento técnico, inclusão e atenção às necessidades individuais das pessoas autistas e de suas famílias.












