EconomiaDólar sobe e bolsas recuam com tensão externa

Dólar sobe e bolsas recuam com tensão externa

O dólar opera em alta e o Ibovespa recua nesta quinta-feira (10), enquanto investidores acompanham os novos dados de inflação dos Estados Unidos, a escalada das tensões no Oriente Médio e seus impactos sobre o preço do petróleo. No exterior, as principais bolsas também registram perdas diante da possibilidade de novas pressões inflacionárias e de juros elevados.

No mercado de commodities, o petróleo atingiu o maior nível desde maio. Por volta das 10h40, o barril do Brent avançava 3,87%, negociado a US$ 105,13, enquanto o WTI subia 4,03%, para US$ 99,92.

A valorização ocorre em meio ao agravamento do conflito no Oriente Médio. O Irã afirmou ter atingido embarcações norte-americanas e petroleiros no Golfo, em resposta à destruição de navios iranianos.

Nesta semana, ataques atribuídos aos Houthis, grupo apoiado pelo Irã, atingiram instalações de energia na Arábia Saudita e provocaram incêndios em estruturas relacionadas à produção de petróleo. A situação também aumenta as preocupações com os embarques pela região do Mar Vermelho.

Antes do conflito, aproximadamente 20% do comércio mundial de petróleo passava pelo Estreito de Ormuz. Desde o início da guerra, o fluxo pela passagem foi severamente reduzido, ampliando os receios sobre a oferta internacional da commodity.

O cenário preocupa os mercados porque uma alta prolongada do petróleo pode elevar os custos de energia e aumentar a inflação em diversos países. Com isso, bancos centrais podem manter ou até ampliar as taxas de juros.

Mercado brasileiro

No Brasil, além dos indicadores econômicos, investidores acompanham decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) relacionadas a investigações envolvendo o Banco Master.

Na quarta-feira (9), o ministro Flávio Dino determinou a reintegração imediata de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal e de Leandro Almada da Costa à chefia da Diretoria de Inteligência Policial.

A decisão foi tomada após pedido apresentado por Rodrigues em um processo que já tramitava no STF, um dia depois de o ministro André Mendonça determinar o afastamento dos dois servidores.

Dino também estabeleceu proteção contra novas medidas cautelares relacionadas ao cumprimento regular de ordens judiciais. O ministro é relator de um inquérito que apura o repasse de emendas parlamentares federais a uma produtora ligada à cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, intitulada “Dark Horse”.

Segundo Dino, a Polícia Federal já havia sido autorizada a acessar materiais apreendidos pela Polícia Civil de São Paulo em uma investigação sobre emendas parlamentares destinadas a empresas supostamente envolvidas na produção do filme.

Ao determinar a reintegração, o ministro avaliou que o afastamento poderia prejudicar o andamento de investigações consideradas urgentes sob sua relatoria.

Andrei Rodrigues argumentou ao Supremo que sua saída da direção da PF poderia afetar a organização das equipes responsáveis pelas apurações, atrasar o acesso aos materiais disponibilizados e comprometer a atuação da corporação.

Dino também questionou juridicamente a decisão de afastamento tomada a partir de um pedido apresentado pelo Partido Novo.

Indicadores econômicos

Entre os dados acompanhados pelo mercado brasileiro está a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS). O setor apresentou estabilidade em julho na comparação com junho, resultado interpretado como mais um sinal de desaceleração da atividade econômica.

Os investidores também avaliam as medidas tributárias e de subvenção anunciadas pelo governo para o setor de combustíveis.

No acumulado da semana, o mercado registra variação de -0,36%; no mês, -1,31%; e, no ano, -6,87%. Em outro indicador, os resultados são de alta de 0,25% na semana, 4,62% no mês e 15,20% no ano.

Bolsas internacionais

Nos Estados Unidos, os principais índices de Wall Street operavam em queda por volta das 10h50. O Dow Jones recuava 0,33%, o S&P 500 caía 0,54% e o Nasdaq Composite registrava baixa de 0,62%.

A movimentação ocorre após dados de inflação ao produtor aumentarem as expectativas sobre uma possível elevação dos juros na reunião do Federal Reserve neste mês.

Na Europa, o DAX, da Alemanha, registrava queda de 0,52%; o CAC-40, da França, recuava 0,22%; e o FTSE 100, do Reino Unido, perdia 0,26%. O Ibex 35, da Espanha, avançava 0,12%.

Na Ásia, a maioria dos mercados encerrou o pregão em baixa. O índice SSEC, de Xangai, caiu 0,43%, enquanto o CSI300 recuou 0,53%. Em Hong Kong, o Hang Seng perdeu 1,27%.

No Japão, o Nikkei avançou 0,20%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, fechou em queda de 0,25%.

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