O Centro de Inovação Criciúma (CRIO) completou dois anos de operação em abril de 2026, consolidando sua atuação como motor de desenvolvimento econômico e tecnológico no Sul de Santa Catarina sob a gestão da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc). O marco celebra a maturidade de um ecossistema que conecta pesquisadores, empreendedores e o poder público em Criciúma, visando transformar o conhecimento acadêmico e ideias disruptivas em soluções de mercado escaláveis.
De acordo com dados da Unesc, o Centro registrou a passagem de mais de 20 mil pessoas pelo seu espaço físico desde a inauguração. Atualmente, a estrutura abriga 27 startups incubadas e mantém um fluxo constante de novos negócios, com 70 projetos em pré-incubação registrados em 2025 e outros 25 iniciados no primeiro quadrimestre de 2026. A estrutura de sete mil metros quadrados funciona como um ponto de convergência para o fortalecimento da economia regional.
A reitora em exercício da Unesc, Gisele Silveira Coelho Lopes, ressalta que a gestão do equipamento demanda rigor técnico e compromisso com a produção de conhecimento aplicado. “Fazer a governança desse importante equipamento é sinônimo de responsabilidade, especialmente para assegurar sua manutenção e a oferta qualificada de todos os serviços inerentes à sua atividade. Desde que a Unesc passou a responder pela gestão do CRIO, temos conduzido esse compromisso com seriedade, preservando a essência do Centro de Inovação Criciúma: conectar o ecossistema regional de inovação, capacitar pessoas em empreendedorismo e inovação, produzir conhecimento e oferecer soluções para fortalecer os negócios atuais e futuros”, afirmou a gestora.
O impacto dos dois anos de operação no Sul catarinense
A movimentação do CRIO é sustentada por uma agenda que contabiliza 455 eventos realizados no período, incluindo quatro fóruns internacionais. Além do impacto social e educacional, o Centro apresenta resultados financeiros expressivos por meio de seu Escritório de Projetos, que viabilizou a aprovação de R$ 10,4 milhões em iniciativas diversas e a captação de R$ 515 mil especificamente para a realização de eventos técnicos.
Para a reitora licenciada da Unesc e atual secretária de Estado da Educação, Luciane Bisognin Ceretta, o espaço supre uma demanda histórica da região por integração tecnológica. “O CRIO é um equipamento que a região precisava para impulsionar o ecossistema de inovação. Ele vem cumprindo esse papel com o apoio da governança e da expertise da Universidade, contribuindo diretamente para que esse ecossistema cresça, se desenvolva, ganhe maturidade e ajude a projetar ainda mais o desenvolvimento da região”, pontuou Luciane.
O prefeito de Criciúma, Vagner Espíndola, reforça que a iniciativa é um dos pilares da modernização urbana. “Este tem sido um dos símbolos de Criciúma com a inovação e a geração de oportunidades. O espaço cumpre um papel importante na conexão entre ideias, projetos e pessoas, contribuindo para o desenvolvimento da cidade”, ratificou.
Resultados práticos na incubação de empresas
O ambiente do CRIO tem gerado resultados para empresas em diferentes estágios de maturação. A startup Zorte, que desenvolve sistemas de gestão para o setor de transportes, utiliza o ecossistema para acelerar seu aprendizado. Segundo o cofundador Arthur Francioni, estar inserido no Centro permite um contato próximo com outras empresas de tecnologia. “Os primeiros avanços que a gente teve foi a troca com outras startups do ecossistema, o contato mais próximo com o ambiente de inovação da região impulsiona ainda mais a nossa startup”, observou o empreendedor.
Outro exemplo é a Pain Cave Academy, focada em desenvolvimento físico e mental para atletas de alto rendimento, que ingressou na incubadora recentemente. A cofundadora Tais Guzzatti de Moliner explicou que o suporte técnico foi decisivo para a estruturação do modelo de negócio. “Com a incubação, temos acesso a mentorias qualificadas e ao direcionamento de empresas que já passaram por desafios semelhantes aos nossos. Isso fortalece ainda mais o desenvolvimento de soluções inovadoras”, destacou.
Modernização da estrutura e projeções para o futuro
Com o objetivo de acompanhar a evolução tecnológica, o CRIO passa por um processo de atualização de suas instalações. Segundo o planejamento da gerência de Inovação da Unesc, estão previstas a revitalização do auditório principal, a implantação de um laboratório de prototipagem e a reestruturação da incubadora Itec.in. O projeto de expansão inclui ainda novos laboratórios voltados para informática e desenvolvimento de games.
Expansão do ecossistema e parcerias estratégicas
A gerente de Inovação da Unesc, Elenice Engel, aponta que o diferencial do Centro reside no acompanhamento integral do empreendedor. “Na pré-incubação, ideias ainda em construção recebem orientação para se tornarem viáveis. Na incubação, startups contam com mentorias, capacitações, infraestrutura e acesso a investidores”, explicou.
A agenda para o restante de 2026 prevê a realização do Encontro Internacional de Pesquisa e Inovação em Ecossistemas Inteligentes em maio, e uma nova edição do programa “Conexões Globais” em junho. As atividades contam com o apoio de parceiros como a Fapesc, a Prefeitura de Criciúma, a Associação Empresarial de Criciúma (Acic) e a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação (SCTI).











