EconomiaDólar sobe com mercado atento aos EUA e eleições

Dólar sobe com mercado atento aos EUA e eleições

O dólar abriu a sexta-feira (4) em alta de 0,12% frente ao real, cotado a R$ 5,1107 por volta das 9h03, em um pregão marcado pela divulgação de dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos e pela repercussão de uma nova pesquisa eleitoral no Brasil. O cenário externo, as expectativas sobre os juros americanos e as eleições presidenciais de 2026 concentram a atenção dos investidores.

O principal índice da Bolsa brasileira, o Ibovespa, começa a ser negociado às 10h. Com poucos indicadores previstos no Brasil e a proximidade do feriado de 7 de Setembro, os mercados acompanham principalmente os números da economia norte-americana.

Emprego nos Estados Unidos

O relatório de empregos de agosto, conhecido como Payroll, apontou a criação de 162 mil vagas nos Estados Unidos. O resultado ficou muito acima da projeção de 56 mil postos esperados pelo mercado.

A taxa de desemprego permaneceu em 4,1%, indicando continuidade da força do mercado de trabalho americano. Os números são considerados importantes para as próximas decisões do Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, sobre a política de juros.

Antes da divulgação, parte dos investidores avaliava a possibilidade de manutenção dos juros. Com os dados mais fortes, aumentaram as apostas de que o Fed poderá elevar as taxas ainda neste mês para controlar a inflação.

As decisões do banco central americano têm impacto nos mercados internacionais e podem influenciar a cotação do dólar, as bolsas e o fluxo de investimentos destinados a países emergentes, como o Brasil.

Pesquisa eleitoral também repercute no mercado

O cenário político brasileiro também está entre os fatores acompanhados pelos investidores. Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (3) aponta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 38% das intenções de voto para o primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 33%.

A diferença de cinco pontos percentuais entre os dois é a menor registrada pelo levantamento desde maio. Na sequência estão Augusto Cury (Avante), com 8%; Ronaldo Caiado (PSD), com 4%; Renan Santos (Missão), com 3%; e Romeu Zema (Novo), com 2%.

O levantamento também avaliou um cenário com Pablo Marçal (PRTB), considerado inelegível por decisão da Justiça Eleitoral. Segundo os dados divulgados, a inclusão do nome não alterou de forma significativa os percentuais dos dois primeiros colocados.

O Datafolha entrevistou 2.002 eleitores entre 1º e 3 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Outros indicadores no radar

Entre os compromissos econômicos desta sexta-feira está a divulgação, às 15h, da balança comercial brasileira referente a agosto. O resultado poderá oferecer os primeiros sinais dos efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre as relações comerciais com o Brasil.

O IBGE também divulga uma pesquisa sobre o trabalho realizado por meio de aplicativos e plataformas digitais.

Outro assunto que movimenta o mercado é a aprovação, pelo Congresso, da medida que encerra a cobrança do imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, conhecida como “taxa das blusinhas”. Depois da aprovação pela Câmara e pelo Senado, a proposta segue para sanção presidencial.

A medida prevê ainda avaliações periódicas do governo para verificar os efeitos da mudança sobre arrecadação, empregos e setores como comércio varejista, indústria têxtil, calçados, brinquedos e cosméticos. Dependendo dos resultados, poderão ser estudadas medidas para reduzir eventuais impactos sobre a indústria nacional.

Mercados internacionais

Na Europa, as principais bolsas operavam em baixa no início desta sexta-feira, enquanto os investidores aguardavam os dados de emprego dos Estados Unidos. Por volta das 9h40, o Stoxx 600 recuava 0,2%. O DAX, da Alemanha, caía 0,1%, enquanto FTSE 100, de Londres, e CAC 40, da França, registravam perdas de 0,2%.

Na contramão, as ações da Volkswagen avançavam 5,7% após a montadora anunciar um plano de reestruturação. O setor automotivo europeu subia 4,3%.

Em Wall Street, a expectativa também estava concentrada no Payroll. Declarações recentes do diretor do Fed Christopher Waller haviam reduzido as preocupações com uma política monetária mais rígida, mas os novos dados de emprego passaram a ser o principal fator para definir o comportamento dos mercados ao longo do dia.

Na Ásia, o desempenho foi misto. O índice de Xangai caiu 0,3%, enquanto o CSI300 recuou 0,1%. Já o Hang Seng, de Hong Kong, avançou 1,7%.

Também registraram alta o Nikkei, do Japão, com 1,3%; o Kospi, da Coreia do Sul, com 1,6%; o Taiex, de Taiwan, com 1,5%; e o Straits Times, de Singapura, com 0,9%. O S&P/ASX 200, da Austrália, caiu 0,2%.

Desempenho dos mercados

Na semana, o dólar acumula queda de 1,76%. No mês, a baixa é de 1,45%, enquanto no acumulado de 2026 a moeda registra desvalorização de 7%.

Já o Ibovespa acumula alta de 5,42% na semana, 4,38% no mês e 14,93% no ano.

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