A Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) está desenvolvendo, em Florianópolis, uma plataforma de inteligência climática para estimar e acompanhar as emissões de gases de efeito estufa (GEE) da indústria catarinense. Divulgada nesta quarta-feira (19), a iniciativa busca ampliar o conhecimento sobre as emissões do setor e subsidiar estratégias de descarbonização diante de novas exigências ambientais e de mercado.
A ferramenta é desenvolvida por meio do Hub de Descarbonização, em parceria com o Observatório FIESC, e deverá reunir informações de diferentes fontes para formar um panorama mais detalhado das emissões industriais em Santa Catarina.
Plataforma terá dados por setor e município
Segundo a FIESC, a plataforma deverá integrar dados do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), inventários realizados por empresas e levantamentos conduzidos pelo SENAI.
O sistema permitirá consultas por setor industrial, município e cadeia produtiva. Também estão previstos o acompanhamento de séries históricas e a análise da intensidade das emissões de gás carbônico. A metodologia terá como referência o GHG Protocol.
A expectativa é que o avanço dos inventários setoriais amplie a precisão das informações disponíveis a partir de 2027.
“Assim que começamos a ter os inventários por setores, conseguiremos construir uma visão mais precisa das emissões e entender onde estão os principais desafios. Isso permite que a indústria se prepare e busque soluções de forma mais estratégica”, afirma José Lourival Magri, presidente do Conselho de Meio Ambiente e Sustentabilidade da FIESC.
Dados devem orientar estratégias de descarbonização
A proposta da Federação é ir além da contabilização das emissões e transformar as informações coletadas em indicadores que auxiliem a tomada de decisões pelas indústrias.
Os dados ambientais poderão ser relacionados a fatores de competitividade e a regulamentações com potencial de impacto sobre as empresas, especialmente aquelas que atuam no mercado internacional.
“Não queremos apenas saber quanto emite cada setor industrial do Estado. Queremos começar a criar inteligência com esses dados para, a partir disso, conseguir direcionar nossas ações”, explica Charles Leber, consultor sênior do Instituto SENAI de Tecnologia Ambiental e coordenador do Hub de Descarbonização.
Para Leber, conhecer a quantidade e a distribuição das emissões é uma etapa necessária para avançar em direção a uma economia de baixo carbono.
“Se queremos de fato tornar Santa Catarina um estado de baixa emissão de gases de efeito estufa, precisamos saber quanto a indústria emite”, destaca.
A plataforma está em fase de validação. Conforme a FIESC, a expectativa é disponibilizar uma versão pública entre o fim de 2026 e o início de 2027.
Empresas podem participar do inventário de emissões
Paralelamente ao desenvolvimento da ferramenta, o SENAI, por meio do Hub de Descarbonização, realiza o Inventário Setorial de Emissões de GEE 2025/2026.
Empresas de médio porte ainda podem participar gratuitamente da iniciativa. O trabalho inclui a elaboração do Inventário Corporativo de Emissões nos escopos 1, 2 e 3, além de capacitação e acompanhamento técnico.
Os dados obtidos deverão integrar o Painel de Descarbonização de Santa Catarina e contribuir para identificar os setores com maiores desafios, orientar programas de redução das emissões e apoiar estratégias para a transição da indústria catarinense para uma economia de baixo carbono.
Empresas interessadas podem se inscrever no levantamento por meio do formulário disponibilizado pela FIESC.














