Pesquisadores e acadêmicos do programa PET Saúde da Unesc desenvolvem, em Criciúma, uma ferramenta de inteligência de dados para prever o absenteísmo em consultas e exames na rede municipal, com testes previstos para setembro e outubro. A iniciativa busca solucionar um gargalo histórico do Sistema Único de Saúde (SUS), onde os índices de faltas chegam a 30%, visando otimizar a gestão de vagas e reduzir o tempo de espera da população por atendimentos especializados e básicos.
Segundo dados divulgados pela coordenação do projeto, o impacto das ausências é significativo para a administração pública. Na atenção básica, as faltas variam entre 12% e 15% ao mês, enquanto nas especialidades o índice sobe para uma média entre 20% e 22%. O acúmulo de vagas ociosas prejudica a eficiência do sistema e retarda o fluxo de pacientes que aguardam na fila.
Funcionamento da inteligência de dados na saúde
O grupo de pesquisa, coordenado pelo professor Luciano Antunes, trabalha no desenvolvimento de um dashboard inteligente que utiliza algoritmos para identificar padrões de comportamento. O sistema analisa variáveis como idade, localização geográfica e histórico de comparecimento para estimar a probabilidade de um paciente não comparecer ao agendamento. Conforme explica Luciano Antunes, “o absenteísmo hoje gira entre 20% e 30% nas consultas e exames. Isso representa um desperdício de vagas que poderiam estar sendo utilizadas por outros pacientes que aguardam atendimento”.
A solução tecnológica permite que a gestão realize um agendamento estratégico. “Com essa ferramenta, o gestor poderá, por exemplo, agendar mais pacientes do que o número de vagas disponíveis, com base em uma previsão segura de ausências. Isso torna o sistema mais eficiente e reduz o tempo de espera da população”, destaca o professor.
Implementação e projeto-piloto em Criciúma
A proposta já recebeu o aval da Prefeitura de Criciúma e entrará em fase experimental em uma unidade básica de saúde (UBS) do município ainda no segundo semestre deste ano. O secretário municipal de Saúde, Deivid de Freitas Floriano, ressalta que a ferramenta complementa estratégias já existentes, como o aviso via WhatsApp. “O absenteísmo é uma situação crônica no SUS em todo o território nacional, e Criciúma também enfrenta essa dificuldade. Esse aplicativo certamente vai contribuir para melhorar nossos indicadores e otimizar o atendimento”, afirma o secretário.
O desenvolvimento técnico é dividido em duas frentes de trabalho: o front-end, focado na interface que será operada pelos gestores, e o back-end, responsável pelo processamento dos dados e pela estrutura do sistema. A equipe é composta por profissionais e estudantes das áreas de Ciência da Computação, Direito e Design.
Integração entre universidade e comunidade
Para a reitora licenciada da Unesc, Luciane Bisognin Ceretta, a iniciativa exemplifica a função das instituições comunitárias em aplicar o conhecimento científico na resolução de demandas sociais. “O PET Saúde representa a essência da universidade comunitária, que une ensino, pesquisa e extensão para resolver problemas reais da sociedade. Projetos como esse mostram como o conhecimento acadêmico pode gerar impacto direto na qualidade de vida das pessoas”, avalia a reitora.
O coordenador do PET Saúde Unesc, Rafael Amaral, projeta que, após a validação dos resultados no projeto-piloto, o sistema poderá ser implementado de forma abrangente em toda a rede municipal no próximo ano. O objetivo final, de acordo com o coordenador, é transformar a experiência tecnológica em uma solução definitiva para tornar a gestão pública de saúde mais eficiente e humanizada.










