Muitas mulheres atravessam rotinas intensas, equilibrando carreira, família e mudanças biológicas, muitas vezes negligenciando sinais sutis que o corpo envia. A cardiologista Dra. Araceli Thomaz participou de uma entrevista na Rádio 102.9 Amorim FM para esclarecer como os ciclos de fertilidade e a menopausa estão intrinsecamente ligados à saúde do coração. A discussão, pautada pelo mês de conscientização da saúde feminina, buscou alertar o público sobre o caráter silencioso das doenças cardiovasculares e a importância da prevenção em todas as fases da vida.
O impacto dos ciclos hormonais na saúde do coração
A jornada biológica da mulher, marcada pela menstruação, gestação e, por fim, a menopausa, exerce influência direta sobre o sistema circulatório. Segundo a Dra. Araceli, os hormônios fazem com que os vasos sanguíneos oscilem constantemente. “Durante a fase reprodutiva, hormônios como a progesterona influenciam a reatividade dos vasos. É comum mulheres relatarem cansaço e inchaço no período pré-menstrual, reflexo direto dessa oscilação”, explicou a médica.
A especialista ressaltou que, ao atingir a menopausa, a queda hormonal pode “desmascarar” condições cardíacas que estavam latentes. “Quando a mulher chega nessa transição, por volta dos 45 ou 50 anos, os riscos muitas vezes são subestimados. Problemas prévios, como a pré-eclâmpsia na gravidez ou a síndrome do ovário policístico, são indicadores cruciais de que a saúde cardiovascular precisa de monitoramento rigoroso”, afirmou.
Sono, obesidade e o perigo das soluções imediatas
Outro ponto de atenção abordado na entrevista foi a relação entre a qualidade do sono e a regeneração dos tecidos cardíacos. Com o Dia Mundial do Sono celebrado recentemente, a médica destacou que a apneia e o ronco não devem ser ignorados. “O sono é o momento em que o coração descansa e os hormônios se regeneram. Dormir mal é um fator de risco significativo para doenças do coração”, alertou a Dra. Araceli.
A obesidade também foi pautada como uma “porta de entrada” para diversas patologias. A médica demonstrou preocupação com o uso indiscriminado de medicamentos emagrecedores de última geração, como o Monjaro, sem o devido acompanhamento profissional.
“Não podemos banalizar o tratamento da obesidade em busca de uma ‘pílula mágica’. É necessário revisar o estilo de vida, a alimentação e a prática de exercícios, tratando a medicação com a seriedade que um hormônio exige”, pontuou a cardiologista.
A conexão vital entre coração, rins e doenças infecciosas
A saúde cardiovascular não atua de forma isolada, mantendo um diálogo constante com o sistema renal. A Dra. Araceli explicou que a hipertensão e o excesso de gordura no sangue prejudicam diretamente a filtragem renal. Além disso, a médica aproveitou a proximidade com o Dia Mundial da Tuberculose (24 de março) para alertar sobre como processos inflamatórios crônicos, causados por doenças infecciosas, podem afetar o coração.
“Vivemos em um país onde doenças como a tuberculose e a leptospirose ainda são presentes. Esses processos infecciosos podem ficar latentes no organismo, gerando uma inflamação crônica que impacta o sistema cardiovascular”, explicou. A especialista encerrou a entrevista enfatizando que os cuidados básicos de higiene e vacinação, reforçados durante a pandemia, não devem ser abandonados, pois a negligência é o maior obstáculo para a manutenção da saúde pública.











