A Polícia Federal (PF) apontou indícios de que o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, teria tentado corromper duas policiais civis em São Paulo para simular o furto de um veículo de luxo. A investigação, divulgada nesta terça-feira, 21 de abril, no âmbito da Operação Sem Desconto, sugere que a fraude visava incriminar indevidamente um ex-assessor do lobista, Edson Medeiros. De acordo com informações publicadas pela Revista Oeste, o esquema envolvia um Audi RS6 que, embora estivesse com o lobista no momento da apreensão, pertenceria legalmente ao seu antigo colaborador.
Decisão do STF determina devolução de veículo de luxo
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, relator do caso, determinou a devolução do Audi RS6 a Edson Medeiros por considerar que o automóvel não é essencial para o andamento das investigações. A decisão baseou-se em mensagens anexadas ao processo que demonstram o ex-assessor tratando da documentação de compra do veículo, o que comprovaria sua propriedade real.
Em trecho de sua decisão, Mendonça afirmou que “há fortes indícios de que Antonio Camilo teria corrompido duas policiais civis do Estado de São Paulo”. O magistrado detalhou que as agentes envolvidas seriam “uma escrivã e uma investigadora, para que forjassem a prática de um suposto crime de furto do veículo Audi”.
Afastamento de policiais e provas colhidas
As policiais civis suspeitas de participar da simulação foram afastadas de seus cargos públicos. Durante as diligências, foram encontradas com uma delas anotações referentes a documentos de veículos pertencentes a Antunes. A investigação da PF aponta que a tentativa de fraude documental ocorreu em um momento próximo à apreensão do automóvel pela Operação Sem Desconto.
Argumentação da defesa e outras ocorrências
A defesa de Antônio Carlos Camilo Antunes sustenta que o lobista registrou um boletim de ocorrência contra o ex-assessor por furto. No relatório da ocorrência, o lobista alega que Medeiros teria subtraído dois veículos de luxo, um Porsche 911 Carrera GTS e uma BMW M5, além de um iPhone, um iPad e a quantia de R$ 30 mil que estava em um cofre.
Antunes afirmou ainda que o ex-funcionário teria cobrado R$ 2 milhões para restituir os bens. Entretanto, mensagens presentes nos autos contradizem parte da versão do lobista, indicando que ele próprio teria emprestado a BMW ao ex-assessor.










