A Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) criticou, nesta quinta-feira (28), em Florianópolis, a proposta aprovada pela Câmara dos Deputados que prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, por avaliar que a medida pode elevar custos, reduzir a competitividade e afetar empregos no estado.
Segundo a FIESC, a proposta representa um aumento expressivo de despesas para as empresas e pode comprometer a produtividade, especialmente em setores intensivos em mão de obra e mais expostos à concorrência nacional e internacional.
Entidade aponta risco para empregos em Santa Catarina
De acordo com estimativa divulgada pela Federação, a mudança poderá resultar na perda de 41,4 mil vagas de trabalho em Santa Catarina nos próximos dois anos. Desse total, 19,1 mil postos seriam apenas na indústria.
A entidade também calcula que a medida pode elevar em 11,4% os custos do trabalho no setor industrial catarinense. Para a FIESC, o impacto seria sentido com mais força por empresas que dependem de jornadas organizadas por escala e que enfrentam maior pressão de custos.
O presidente da FIESC, Gilberto Seleme, afirmou que a proposta foi analisada de forma apressada na Câmara dos Deputados.
“Reconhecemos a coragem dos deputados catarinenses que votaram contra uma proposta discutida de maneira açodada e embalada por interesses eleitorais”, declarou.
FIESC defende negociação coletiva
A Federação avalia que a negociação coletiva é o caminho mais adequado para discutir a redução da jornada e eventuais mudanças na escala de trabalho. Conforme a entidade, esse modelo permite considerar as características de cada setor, além das necessidades de trabalhadores e empregadores.
Seleme afirmou que mudanças desse tipo não devem ser impostas de maneira uniforme a todos os setores da economia.
“Esperamos que a análise pelo Senado leve em consideração os impactos sociais e econômicos da medida. Pois, se seguir como está, isso vai custar caro ao Brasil”, completou.
Prazo de adaptação também é criticado
A FIESC também questiona o prazo previsto para adaptação das empresas. Pela proposta, a redução de 4 horas na jornada seria feita em duas etapas: a primeira, de 2 horas, em 60 dias; e a segunda, também de 2 horas, em 12 meses.
Na avaliação da entidade, esse cronograma compromete o planejamento das empresas, especialmente em atividades que dependem de organização operacional, escalas de produção e contratos já estabelecidos.
A manifestação foi divulgada pela Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina, por meio da Gerência de Comunicação da entidade.













