O Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC) intensificou, a partir de março de 2026, as ações de prevenção contra afogamentos em ambientes de água doce e piscinas em todo o estado. A medida ocorre após o encerramento da alta temporada de verão e a retirada gradual de guarda-vidas das praias oceânicas, visando reduzir os riscos de acidentes domésticos e em áreas de lazer do interior por meio da formação educativa do Projeto Golfinho. O foco da corporação recai sobre crianças de 7 a 11 anos, considerando que o risco de incidentes migra do litoral para ambientes controlados e águas internas durante os meses de menor movimento nas praias.
Piscinas e clubes lideram as ações de prevenção
Dados consolidados do sistema de Gestão Operacional do CBMSC, analisados entre 2023 e os primeiros meses de 2026, revelam que o ambiente de piscinas e clubes tornou-se o principal pilar de prevenção fora do mar. Nesse período, a corporação formou 6.418 crianças especificamente para lidar com os riscos desses locais, onde a falsa sensação de segurança pode ocasionar acidentes graves.
O ano de 2024 registrou o pico de atividades, com 2.335 formações. O programa utiliza métodos lúdicos para ensinar regras fundamentais, como evitar correr na borda de piscinas e identificar o perigo dos ralos de sucção. O objetivo é consolidar o lema “água no umbigo, sinal de perigo” em áreas urbanas de todas as regiões catarinenses, garantindo que o aprendizado sobre segurança aquática seja disseminado de forma contínua.
Vigilância educativa em rios e lagos do interior
Além das piscinas, as praias de água doce, rios e lagos também recebem atenção especial da corporação. O acumulado de formações nesses ambientes soma 1.280 crianças no período analisado. Segundo a fonte oficial, os dados de 2026 já apontam um cenário positivo: apenas nos primeiros meses do ano, 150 crianças foram formadas em locais de água doce, indicando um avanço preventivo em áreas que historicamente registram acidentes graves no interior de Santa Catarina.
O comando da corporação reforça que a desmobilização dos postos de guarda-vidas no litoral não significa o fim do alerta. “O consolidado de mais de 7 mil crianças formadas especificamente para ambientes de piscinas e água doce em quatro anos prova a solidez do projeto. Agora que o foco sai do mar, esses ‘golfinhos’ se tornam os olhos da prevenção em clubes e condomínios, garantindo que o conhecimento sobre segurança aquática perdure o ano todo. A mensagem é clara para pais e responsáveis: o perigo não acaba com o fim da temporada de praia. Buscar a formação do Projeto Golfinho para crianças de 7 a 11 anos, seja em quartéis do interior seja em clubes parceiros, é um ato de gestão de risco fundamental para proteger as famílias catarinenses”, ressalta o comandante-geral, coronel Fabiano de Souza.
Perfil dos participantes indica alcance e engajamento
A análise estatística do CBMSC traça um perfil equânime do público atingido, com 51% de meninos e 49% de meninas participantes. Uma tendência observada nos últimos três anos é a redução da idade média dos alunos, que passou de 9,2 anos em 2023 para 8,6 anos em 2026. Essa mudança permite que o Corpo de Bombeiros inicie a formação preventiva mais cedo, preparando as crianças antes da adolescência, período em que a exposição ao risco costuma aumentar.
Fidelização e calendário estratégico
O Projeto Golfinho também apresenta altos índices de engajamento. Entre 2023 e março de 2026, foram registrados mais de 5,4 mil casos de crianças que retornaram para novas etapas do curso, evidenciando a eficácia do método educativo. Em 2024, o número de participantes recorrentes chegou a 2.895.
As atividades acompanham a sazonalidade e o calendário escolar. Janeiro concentra o maior volume de formações devido às férias, alcançando 6.599 crianças em 2025. Entretanto, o mês de novembro consolidou-se como um período estratégico para a entrada da corporação nas escolas, registrando uma média de 2.700 formações mensais para preparar o público infantil antes do início do período de veraneio. Com o total de 7.698 novos “golfinhos” formados em ambientes não oceânicos nos últimos quatro anos, a iniciativa se estabelece como uma ferramenta permanente de gestão de risco em Santa Catarina.










