A possibilidade de um novo aumento nas tarifas de importação dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros pode atingir cerca de 4,1 mil itens exportados pelo Brasil. A estimativa foi divulgada nesta segunda-feira (6) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), enquanto começam, em Washington, as audiências públicas sobre a proposta apresentada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). A medida está em discussão devido às alegações do governo norte-americano de que o Brasil adota práticas comerciais consideradas desleais, argumento contestado oficialmente pelo governo brasileiro.
Segundo a CNI, os produtos que podem ser afetados representam aproximadamente US$ 14,9 bilhões em exportações brasileiras. Entre os itens listados estão ferro-gusa não ligado, açúcar bruto, álcool etílico, molduras de madeira e hidróxido de alumínio.
Em nota, o presidente da entidade, Ricardo Alban, afirmou que a aplicação de uma tarifa adicional de 25% não encontra justificativa jurídica, econômica ou estratégica. Para a CNI, a manutenção do diálogo entre os dois países é o caminho mais adequado para preservar as relações comerciais.
Enquanto as audiências públicas ocorrem nos Estados Unidos, o governo brasileiro optou por não apresentar manifestação oficial durante as sessões. A decisão foi tomada por considerar que o espaço não é apropriado para negociações, que seguem ocorrendo por meio de reuniões técnicas e diplomáticas entre representantes dos dois países.
Mesmo sem discursar, integrantes da embaixada brasileira em Washington acompanham as audiências como observadores. Paralelamente, o governo mantém conversas com autoridades norte-americanas em busca de um entendimento antes do prazo final para um acordo, marcado para 15 de julho.
Na última semana, representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio se reuniram com o chefe do escritório comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer. O Brasil apresentou uma proposta para responder aos seis pontos questionados pelos norte-americanos, mas ainda aguarda uma resposta oficial.
Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que a recomendação do USTR possui forte componente político e consideram improvável a retirada completa das tarifas propostas. A expectativa é de que as negociações possam resultar, ao menos, na redução das alíquotas ou na concessão de exceções para determinados produtos.












