O crescimento das cidades do Sul catarinense tem ampliado a demanda por habitação, saneamento básico, mobilidade e obras de infraestrutura nos últimos anos, especialmente em municípios litorâneos e áreas de expansão urbana. A avaliação foi feita nesta terça-feira (09), durante entrevista ao Jornal Amorim, Segunda Edição, da 102.9 Amorim FM, pelo professor Augusto Wanderlind, coordenador do curso de Engenharia Civil da Unesc, ao explicar por que o planejamento urbano se tornou essencial para acompanhar o desenvolvimento regional.
Crescimento urbano exige planejamento
Conforme o professor, a região passa por um período de expansão, impulsionado pela geração de empregos, pelo turismo, pela proximidade com o litoral e pela busca por qualidade de vida. Esse cenário, segundo ele, aumenta a necessidade de obras e de profissionais preparados para atuar no planejamento e na execução de projetos.
“Nos últimos anos, a nossa região vem tendo um crescimento bastante avançado e, com isso, para o desenvolvimento da região acontecer, é preciso que tenham obras sendo geradas”, afirmou Augusto Wanderlind.
Ele destacou que a Engenharia Civil está diretamente ligada a esse processo, em conjunto com outras áreas, como a Arquitetura, especialmente no planejamento urbano e na estruturação de cidades preparadas para receber novos moradores e empreendimentos.
“Como vai crescendo, vai vindo mais população. A gente precisa ter as habitações e, com isso, também vai tendo as construções para edificações comerciais e industriais. Então, a nossa região está bastante aquecida em termos de construções e obras sendo executadas”, explicou.
Habitação e novos empreendimentos
O aumento da população tem impulsionado a procura por moradias em diferentes formatos. Segundo o coordenador, o mercado tem respondido tanto com edificações verticais, como prédios, quanto com edificações horizontais, como loteamentos e condomínios.
“Temos demandas tanto para edificações verticais quanto para edificações horizontais, que são os loteamentos. Depende um pouco do perfil das famílias, da faixa etária e de onde elas querem ficar mais localizadas”, disse.
De acordo com o professor, áreas centrais tendem a atrair maior procura por prédios, enquanto regiões mais afastadas recebem demanda por loteamentos e condomínios fechados. Essa mudança, no entanto, exige atenção das prefeituras e dos empreendedores.
“Quanto mais edificações verticais, também acaba mexendo na infraestrutura e na logística de todas as prefeituras, para poder atender muito bem a demanda de população concentrada. E, no caso dos loteamentos, vai precisar desenvolver a região onde o loteamento será construído”, pontuou.
Normas técnicas garantem segurança e durabilidade
Durante a entrevista, Augusto Wanderlind reforçou que o crescimento urbano precisa ser acompanhado por normas técnicas, estudos e planejamento de longo prazo. Para ele, não basta atender apenas à demanda imediata por moradias ou empreendimentos.
“É bem necessário, porque a gente precisa olhar sempre para o futuro, para que seja algo sustentável. Não dá para fazer um planejamento apenas pela necessidade”, afirmou.
Segundo o professor, uma edificação deve ser projetada para ter vida útil mínima de 50 anos, considerando segurança, manutenção e adaptação ao desenvolvimento da região.
“Quando a gente fala de uma construção nova, seja uma casa ou um edifício, ela tem uma previsibilidade de vida útil de, no mínimo, 50 anos. O planejamento tem que ser feito para que essa obra tenha infraestrutura e estrutura segura por, no mínimo, 50 anos”, explicou.
Ele acrescentou que as normas técnicas também são atualizadas a partir das necessidades da sociedade e da experiência acumulada em obras anteriores.
“As normas precisam ser atualizadas para seguir um caminho em que a entrega final dos produtos, ou seja, as obras da construção civil, sejam realmente de um uso que a sociedade deseja, com segurança e qualidade”, afirmou.
Engenharia atua em diferentes etapas
O coordenador explicou que o engenheiro civil pode atuar em várias fases de uma obra. Há profissionais voltados à elaboração de projetos, estudos, cálculos e documentos técnicos, enquanto outros trabalham diretamente na execução, no gerenciamento de equipes e na fiscalização.
“Para fazer um loteamento hoje, é preciso uma série de documentos para validar que estejam de acordo com as normas e que vão garantir essa durabilidade”, disse.
Segundo Augusto, a execução de uma obra depende da ligação entre o projeto e a realidade do canteiro.
“O profissional vai fazer essa ligação entre pegar os documentos que estão ali, com todos os requisitos no papel, e transferir isso para a realidade. Ele faz essa gestão toda”, explicou.
Praias do Sul de SC vivem nova realidade
O crescimento das cidades litorâneas também foi apontado como um dos principais desafios para a região. Municípios como Passo de Torres, Balneário Gaivota e Balneário Arroio do Silva têm registrado aumento populacional e maior procura por moradias, serviços e infraestrutura.
“As praias aqui nossas são muito lindas e as infraestruturas que elas têm são bastante aconchegantes. Então, o pessoal começou a vir para morar mesmo”, afirmou o professor.
Segundo ele, essa mudança altera a dinâmica dos municípios, que deixam de receber apenas turistas em determinados períodos e passam a precisar de uma estrutura permanente para atender moradores durante todo o ano.
“É preciso ter uma cidade que suporte um maior número de pessoas e que dê toda a infraestrutura de qualidade de vida, conseguindo manter a segurança e o bom uso da cidade”, destacou.
O professor também afirmou que a Unesc tem percebido aumento no interesse de estudantes da região litorânea pelo curso de Engenharia Civil.
“De uns cinco anos para cá, temos evidenciado um grande número de alunos na Unesc que vêm de Passo de Torres, Sombrio, Praia Grande e de toda a região Sul, com as praias próximas ao litoral, para estudar Engenharia Civil”, relatou.
Demanda por profissionais cresce na região
De acordo com Augusto Wanderlind, o crescimento das obras no Sul catarinense também tem ampliado a procura por profissionais da área. Segundo ele, o curso recebe frequentemente pedidos de empresas em busca de estudantes e futuros engenheiros.
“Hoje, para a gente ter uma ideia dessa necessidade que está tendo na região, não passamos uma semana sem receber, no curso, pedidos de divulgação de vaga”, afirmou.
O professor disse que há procura tanto por estagiários quanto por alunos em fase final de graduação, já que muitas empresas precisam de profissionais preparados para assumir responsabilidades ligadas à Engenharia Civil.
“Está acontecendo uma expansão, as obras precisam ser executadas e a gente precisa dos profissionais, tanto para elaboração de projetos quanto para a execução desses projetos e o controle”, explicou.
Fiscalização também é área de atuação
Além da elaboração e execução de projetos, o professor destacou a importância da fiscalização técnica em obras públicas e privadas.
“A gente ainda precisa de um terceiro nível, que é a fiscalização. Para fazer a fiscalização, também tem que ser um profissional que tenha conhecimento dessa área, ou seja, um engenheiro civil”, afirmou.
Segundo ele, essa atuação é essencial para garantir que projetos sejam executados de forma correta, segura e em conformidade com as normas.
Saneamento básico é desafio para cidades litorâneas
Outro ponto abordado na entrevista foi a necessidade de investimentos em saneamento básico, especialmente nas cidades litorâneas. O professor citou Balneário Arroio do Silva como exemplo de município que se prepara para implantar esse tipo de estrutura.
“Essa é uma questão bastante importante, porque atua diretamente na segurança da população e vai trazer a qualidade de vida que a gente precisa ter”, disse.
Segundo Augusto, o saneamento básico impacta diretamente os recursos hídricos, a saúde pública, a infraestrutura urbana e o desenvolvimento das cidades.
“Para poder ter um bom saneamento, é preciso conseguir fazer com que a cidade tenha qualidade, principalmente nos recursos hídricos”, explicou.
O professor ressaltou que projetos de saneamento exigem planejamento de longo prazo e equipes multidisciplinares, já que envolvem estudos ambientais, dimensionamentos técnicos, execução de redes e impactos na rotina da população.
“O projeto de saneamento básico vai influenciar não somente diretamente no tratamento da água. Ele vai influenciar também na infraestrutura urbana como um todo, no ir e vir da população”, afirmou.
Planejamento deve considerar décadas
Conforme o coordenador, obras de saneamento não podem ser pensadas apenas para curto prazo. É necessário prever o crescimento populacional e o funcionamento da estrutura ao longo de décadas.
“O profissional de Engenharia Civil vai precisar fazer planejamentos ao longo de um número de anos bastante avançado, estudando o que pode acontecer daqui a 10, 20, 30, 40 ou 50 anos”, explicou.
Ele destacou que, em saneamento, a durabilidade e a eficiência do projeto são fundamentais.
“Fazer um movimento grande, com várias obras acontecendo em um grande trecho de uma cidade, para que isso funcione bem por 15 anos, não basta. Isso tem que funcionar de forma muito correta por muitos anos”, afirmou.
Tecnologia auxilia na elaboração de projetos
Durante a entrevista, Augusto Wanderlind também falou sobre o uso de tecnologias na Engenharia Civil. Uma das ferramentas citadas foi o BIM, sigla em inglês para Building Information Modeling, que permite a criação de modelos virtuais de obras.
Segundo ele, a tecnologia ajuda a prever interferências, simular comportamentos e visualizar projetos em três dimensões antes da execução.
“No projeto virtual, a gente vai ter o modelo, vai enxergar em três dimensões tudo o que será executado e como, por exemplo, a água vai fluir e ser tratada”, explicou.
O professor informou que os estudantes de Engenharia Civil da Unesc têm acesso a softwares utilizados pelo mercado, tanto dentro quanto fora da universidade, por meio de licenças disponibilizadas em parceria com empresas fornecedoras.
“Durante a graduação, ele consegue ter acesso a esses softwares, que são usados no mercado depois pelo profissional. Então, ele já sai com esse contato de mercado”, afirmou.
Projetos reais aproximam teoria e prática
Conforme Augusto, o curso busca aproximar a formação acadêmica das demandas reais da profissão. Segundo ele, os estudantes são estimulados a trabalhar com projetos práticos e desafios próximos da realidade encontrada no mercado.
“A gente já tem trabalhado há bastante tempo com esse tipo de utilização, colocando sempre como desafio trabalhar em projetos reais. Porque é o que vai acontecer com esse profissional depois”, declarou.
Para o professor, essa preparação é importante porque o engenheiro será demandado por projetos complexos, que precisam funcionar sem prejudicar a rotina da cidade e da população.
Rodovias, pontes e tráfego fazem parte da formação
A atuação do engenheiro civil em rodovias, pontes e viadutos também foi destacada. Segundo Augusto, a grade do curso da Unesc passou por atualização em 2022 para ampliar a formação dos acadêmicos diante das demandas de infraestrutura da região.
Uma das mudanças foi tornar obrigatória a disciplina relacionada a pontes, que antes era optativa.
“Na atualização do curso, ela se tornou uma disciplina obrigatória para que todos os alunos já saiam formados tendo visto como se faz um projeto completo de uma ponte”, explicou.
O professor ressaltou que pontes e viadutos são estruturas fundamentais para melhorar acessos, renovar ligações antigas e garantir melhor fluxo de veículos.
“Quando fala em ponte, a gente pensa muito na ponte com um rio passando embaixo, mas também temos os viadutos, que fazem parte de uma infraestrutura muito crescente aqui na região”, afirmou.
Mobilidade urbana entra no debate
Outra mudança citada por Augusto foi a inclusão de conteúdos relacionados à engenharia e à gestão de tráfego. A medida, segundo ele, busca preparar os futuros profissionais para lidar com desafios de mobilidade gerados pelo crescimento urbano.
“Quais são as soluções que eu tenho que executar para que eu não gere engarrafamentos nessa nova expansão das cidades? Isso pode gerar um caos para os cidadãos e para a economia da cidade”, disse.
O professor lembrou que a mobilidade é uma preocupação ainda maior em cidades turísticas, principalmente durante a temporada de verão.
“Nas praias, quando chega a temporada de verão, isso é um grande desafio”, afirmou.
Curso forma profissional com atuação ampla
De acordo com Augusto Wanderlind, o curso de Engenharia Civil da Unesc forma profissionais com visão generalista, ou seja, preparados para compreender diferentes áreas da engenharia e atuar em múltiplas frentes.
“O curso de Engenharia Civil da Unesc forma um profissional generalista. Ele vai ter a capacidade de atuar e ter, perante o CREA, atribuições para todas essas áreas”, explicou.
Mesmo com essa formação ampla, é comum que o estudante se identifique com uma área específica ao longo da graduação e, posteriormente, busque especialização.
“É muito comum, quando o aluno está chegando ao final das fases, ele ter se identificado mais com uma área do que com outra e acabar se especializando”, afirmou.
Segundo o professor, essa integração entre diferentes áreas é necessária porque obras de infraestrutura costumam envolver mais de uma especialidade. Uma ponte, por exemplo, exige cálculo estrutural, análise de tráfego e drenagem.
“Se eu tenho que projetar a estrutura da ponte, como é que eu não vou entender de drenagem ou de algo hídrico? Ele precisa sair com toda essa capacidade”, destacou.
Como conhecer o curso da Unesc
Ao final da entrevista, o coordenador explicou que interessados em conhecer o curso de Engenharia Civil da Unesc podem entrar em contato diretamente com a coordenação para agendar atendimento individual, visitar a estrutura e tirar dúvidas.
“O aluno que tem interesse específico no curso de Engenharia Civil pode entrar em contato diretamente conosco, com a coordenação. A gente agenda um horário, faz um atendimento individual, mostra onde são as salas de aula, como funciona e tira todas as dúvidas”, afirmou.
Segundo Augusto, a universidade conta com laboratórios de estruturas, pavimentação e materiais de construção, utilizados em atividades práticas durante a graduação.
“A gente consegue mostrar toda a infraestrutura da Unesc para o curso de Engenharia Civil. Temos laboratórios onde o aluno tem aulas práticas durante a graduação”, disse.
As informações sobre o curso estão disponíveis no site da Unesc, em unesc.net.
Confira a entrevista completa:












